Nota pública divulgada hoje pela Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Feira de Santana (ADUFS) a propósito da greve dos terceirizados acusa o Governo do Estado de estar praticando uma politica de ‘estrangulamento orçamentário, precarização das condições de trabalho,  ataque à
autonomia, desrespeito às leis trabalhistas e congelamento de salários”.

Leia na íntegra:

“A diretoria da ADUFS vem a público manifestar total apoio aos trabalhadores e trabalhadoras dos Serviços de Limpeza da UEFS, que estão em greve por tempo indeterminado por conta do atraso no
pagamento dos salários, vale-transporte e auxílio-alimentação.

Tal situação tem sido recorrente na universidade, deixando pais e mães de família na incerteza do recebimento daquilo que é seu de direito.

A diretoria da Adufs, desde o início da atual paralisação, esteve presente junto aos trabalhadores e trabalhadoras, solidarizando-se com a situação, colocando-se disponível e apoiando o movimento. Assim como em todas as mobilizações dos trabalhadoras(es) terceirizadas(os)
ocorridas, como limpeza, manutenção predial, jardinagem, telefonia e segurança.

O que vivenciamos é decorrente da política do governo estadual, que tem imposto às Universidades Estaduais da Bahia o estrangulamento orçamentário, a precarização das condições de trabalho, o ataque à autonomia, o desrespeito às leis trabalhistas e o congelamento dos nossos salários.

É importante resgatar que a Adufs e o ANDES – Sindicato Nacional sempre foram contrários à terceirização, já que essa modalidade de contrato representa a superexploração do trabalho para garantir maiores lucros aos empresários, além de um duro ataque aos direitos trabalhistas e à organização dos trabalhadores.

Após sanção da Lei 13.429, em março de 2017, a terceirização foi autorizada em atividades fim.

Com a aprovação da PEC dos gastos, em dezembro de 2016, e a contra reforma trabalhista, em 2017, temos, em linhas gerais, uma maior fragmentação da classe trabalhadora, o que impede sua atuação coletiva para a melhoria das condições de trabalho e de vida.

O que presenciamos cotidianamente na Uefs é isso: dificuldade dos trabalhadores se organizarem, reduções e recorrentes atrasos nos salários, além do não usufruto de direitos básicos, como férias.

Há trabalhadores que não gozam férias há mais de cinco anos!

Por outro lado, desde a greve docente de 2015, a Adufs vem cobrando do Fórum de Reitores e da Administração da Uefs um posicionamento mais firme frente à grave situação orçamentária imposta pelo governo estadual.

É importante que o Fórum de Reitores reforce as pautas da comunidade acadêmica relativas ao percentual mínimo de 7% da Receita Líquida de Impostos (RLI) para as Ueba, 1% da RLI para permanência estudantil, bem como a defesa dos direitos dos professores e técnicos, que são retirados cotidianamente pelo governo.

Por isso, a ADUFS insta a administração central da UEFS a envidar todos os esforços para resolver a
situação das(os) trabalhadoras(es) terceirizadas(os) de forma URGENTE e avaliar a suspensão das atividades
acadêmicas por conta da greve.

Diretoria da Adufs – Seção Sindical do ANDES – Sindicato Nacional

Feira de Santana – Ba, 22 de maio de 2018