O Museu Casa do Sertão, entidade da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), realiza a exposição O Som do Sisal, que estará em cartaz desta segunda-feira (21) até 20 de dezembro.

A mostra apresenta instrumentos musicais como violões, ukulele, violinos, sisalaixos (contrabaixo feito com sisal) e cavaquinhos, construídos a partir do reaproveitamento dos resíduos da cadeia produtiva do sisal, que ganham forma pelas mãos de crianças e adolescentes do projeto O Som do Sisal.

A programação da mostra também contempla o 2º Sarau do Museu Casa do Sertão, na quarta-feira (23), das 14h às 17h30min, com apresentação de músicos integrantes do projeto O Som do Sisal e uso dos instrumentos construídos por eles.

O evento também terá a participação dos cordelistas Jurivaldo Alves, Domingos Santeiro e Julio Rodrigues, além de apresentação de rap do estudante de Licenciatura em História da Uefs, Lázaro Souza.

A exposição integra as atividades da 16ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, com o tema ‘Bioeconomia: Diversidade e Riqueza para o Desenvolvimento Sustentável’, dentro do conceito da utilização sustentável e inovadora de recursos biológicos renováveis (biomassa).

Nesse contexto, Josevaldo Nim, fundador do Projeto O Som do Sisal, explica que a ação de construção desses artefatos nasce como uma alternativa para conseguir mais instrumentos musicais a baixo custo e de criar um projeto novo, com a cara da cultura do interior da Bahia, região do sisal.

Sustentável, socioeconômica e cultural, o projeto, iniciado na cidade de Conceição do Coité, é uma criação inovadora e tem recebido destaque, resultando em orgulho para os moradores da região do sisal. Conforme Josevaldo Nim, as pessoas ficam admiradas por conhecer, pela primeira vez, um instrumento construído com a madeira do sisal.

Este entusiasmo, salienta Nim, “é demonstrado sobretudo em quem conhece ou já trabalhou na dura atividade do motor do sisal, na qual muitas vezes as pessoas eram mutiladas, perdendo um braço ou ficando cegas”. Ele destaca que os instrumentos musicais “ressignificam o som batido do motor do sisal pela poesia das violas”.

Além dos instrumentos musicais, a mostra reúne fotografias de Robson di Almeida e pinturas de Pepeu Ramos (telas com desenhos em pirografia) e  artesanato construído com agave, do espanhol Timbe Bernhardt.