por  Laila Geovana

O racismo é algo que tenta nos deslegitimar da condição de ser humano.

É comum ver a notícia em jornais de esporte ou em outros meios de comunicação que jogadores de futebol sofreram o racismo em campo, ou seja, no momento de protagonismo, os heróis da bola não são perdoados quando não satisfazem as expectativas dos torcedores racistas e nada impede a violência e a opressão nem mesmo o flagrante das câmeras de reportagens que cobrem esse tipo de espetáculo intimida os racistas.

Seja no Brasil o País de Pelé o Rei do futebol ou em outros países que se julgam “mais civilizados”, nada impede que um atleta negro seja chamado de macaco.

Aranha o goleiro do Santos em 2014, foi chamado de “macaco” pela torcida do Grêmio. O jogador Ganês, Emmanuel Frimpong, do time de Futebol Russo foi chamado de “macaco” pela torcida. O zagueiro Miranda do Vasco foi chamado de “macaco” pelo jogador do Independente. O goleiro Hugo do flamengo foi chamado de “macaco” pela torcida no dia 20/11/2019, dia que no Brasil se comemora a consciência Negra. Em 2014, o jogador brasileiro Daniel Alves que jogava pelo Barcelona comeu uma banana que foi lançada no campo em sua direção. A banana símbolo de ofensa racista darwinista.

Pensei:  – que tipo de pessoa leva uma banana para o estádio para lançar ao campo para ofender um jogador negro que joga pelo seu time? 

Em meio a todas essas reflexões me voltei para o campo intelectual, para o meio acadêmico e a investigação de registros dos grandes pensadores, já que não sou tão voltada ao esporte e sim profissional da área do pensamento da filosofia. Mas como toda a manifestação é representação de um pensamento que muitas vezes já foi escrito por grandes intelectuais. Em meio a tantas reflexões do campo acadêmico e científico entrei em processo de análise da teoria da evolução Darwinista a teoria racista, colonialista que comparou o homem negro ao macaco.

Ou seja, quando esse tipo de atitude ou discurso aparece “lançar banana” ou “chamar a pessoa de “macaco”, isto é, a manifestação do pensamento que foi constituído e legitimado pela política de dominação racista, colonialista que tentou por meios de grandes nomes da intelectualidade e da ciência proliferar mecanismos de dominação de grupos e povos negros.

O filósofo Martinicano Frantz Fanon em sua obra: “Pele Negra, Máscaras Brancas” nos alerta sobre esse problema da alienação que o ser humano negro sofre com o fenômeno da legitimação da linguagem que se dispõe a alienar seres humanos para dominar ou inferiorizar outros que não fazem parte do seu grupo ou não aceitam a diversidade e o pluralismo humano.

Quando um indivíduo lança bananas ou grita a palavra “macaco” para outra pessoa, ele está tentando tirar do outro a condição de ser humano, tenta desumanizá-lo, animalizá-lo, tenta tirar da outra pessoa a condição de ser racional, ser pensante. E isto, Darwin fez com a teoria da evolução que comparou o homem negro ao macaco. Vejam o problema que Darwin nos deixou!

Diante do que já foi exposto vale uma reflexão.

 Como devemos agir diante de discursos de ódio, racismo e intolerância? Reagindo. Só a luta e o enfrentamento podem nos conduzir a mudança, pois o silêncio faz parte da política de omissão e da covardia. A filósofa Angela Davis, nos lembra que: “em uma sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista. ”  

Laila Geovana Moreira Beirão  é  professora de filosofia.