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E quem vive no limitado mundo jurídico se desdobra pra explicar ou não entender a reforma da sentença pelo TRF 4.

Lula foi julgado como a imensa maioria dos brasileiros e confirmou que a lei é realmente para todos.

Vi no julgamento exatamente o que vi durante toda minha insignificante carreira de criminalista, me vi ali, na tribuna, me espremendo para demonstrar aos olhos de desembargadores que um juiz errou.

Mas desembargadores não escutam, não lêem processo e na realidade sabem bem pouco de direito e seu livre convencimento é na verdade senso comum.

Lenio Streck reclamou de votos prontos, mas sei que é pura ironia. Procurador que foi, sabe como ninguém como um julgamento colegiado funciona no país. Temos o mais atrasado sistema de justiça criminal, capaz de fazer rir colegas e amigos estrangeiros.

Muita gente estranhou o fato do revisor passar seis dias com o processo!!! Já vi eminentes ministros do STJ, outrora desembargadores federais receberem o processo e pedir julgamento após 15 minutos, não obstante os autos possuírem 18 volumes, tudo isso comprovado pelos sistemas do regional.

Vi também a grande preocupação com as preliminares por parte do relator. Ora, sabedor que o STJ não discute prova, a única brecha para lula são as preliminares que não versem sobre as mesmas, daí a preocupação do relator.

No segundo grau finda a discussão sobre provas, logo, sem querer ensinar nada a ninguém, muito menos ao Cristiano Martins, esse grande advogado, afirmo que, dentro do ordenado mundo jurídico, poderá existir chance de anulação sim, já vi erros menores serem reconhecidos.

Ocorre que isso não é realmente decidido no mundo jurídico. A decisão é feita por um juiz (mercado que quer os Correios, a Eletrobras, a CEF e a Embraer) e o direito serve aos donos do mundo, direito é apenas instrumento da ordem escolhida por eles e para eles.

Os donos do mundo querem a Petrobrás, o INSS e tudo o mais que tenha valores parecidos e o direito foi usado para conseguir isso seja com o crime de responsabilidade inexistente de Dilma e a condenação de lula.

Sei que a ladainha jurídica é chata. Vou mudar as idéias

Vou contar uma história que aconteceu comigo para ajudar os amigos e amigas sem paciência

– Ao abastecer o carro ouvi pelo rádio há mais ou menos dois anos que uma ação da Petrobrás estava sendo vendida à 3,11 reais. Vi que aquele era o valor do litro da gasolina à época. A idéia de comprar ações da Petrobrás me fez ligar para um amigo e pedir ajuda nesse sentido. Ele me disse que a Petrobrás jamais se recuperaria de Dilma e que todo o mercado desaconselhava.

Resolvi comprar porque tinha um palpite sobre o que aconteceria na Petros, quando Temer escreveu a carta pra Dilma, quebrei o porquinho e comprei mais ações Petrobrás.

Dilma caiu, lula caiu e no mesmo dia a Petrobrás fechou com 19,64 a ação.

O mundo do dinheiro é maior que o mundo jurídico e atende pelo nome de mercado, esse mesmo que Lula tentou acalmar na véspera do julgamento, óbvio.

O fato é que tem gente que gastou muito dinheiro com esse golpe, e eles não correrão o risco de Lula, único com capacidade política para parar a transferência da Petrobrás, eleito, convoque plebiscito e nacionalize os campos de petróleo vendidos a preço de banana.

Calcular riscos de investimento é o que os donos do poder fazem melhor. Para a ganância dos donos do mundo vale gastar com guerra, noutras só se compra políticos e mídia.

Nosso país é de gente ordeira, uma nação de bacharéis que aprendeu na faculdade o império da lei e o respeito aos direitos individuais e acredita piamente que somos uma democracia e um estado de direito.

O que aconteceu com Lula ocorre todo dia, não achando provas, inventam, o que é o direito no Brasil além da retórica?

Lula poderia se exilar e denunciar o golpe, mas como denunciar gente de quem se aproximou tanto?

Muito próximos né Lula, e você achou mesmo que o sistema do qual você fez parte te aceitaria porque você aceitou o sistema.

Esse foi seu maior erro e pagaremos todos por ele.

Rodrigo Lemos é advogado