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    fevereiro 6, 2020

Forró, baião, quadrilha, xaxado e xote. O ritmo pode até variar mas o maestro da festa nordestina é o sanfoneiro. Invariavelmente acompanhado do triangulo e da zabumba, esse trio embala o arrasta-pé na época do São João.

Na pegada dessa tradição, a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), através do Centro de Cultura e Arte (Cuca), promove a 10ª edição do Festival de Sanfoneiros.

As inscrições estão abertas até o dia 20 de março e os músicos devem se inscrever através de um formulário online disponível AQUI.

O evento está programado para o dia 20 de maio.

Os interessados  em participar do Festival, podem acessar o Edital Completo com as regras do evento e também o Site do Cuca, onde tem todos os detalhes.

foto:Luizinho  Pé  Quente, ganhador  do  festival  em 2014.

 

por André Pomponet*

Provavelmente nenhum bairro de Feira de Santana nasceu como o conjunto George Américo: cercado de polêmicas, disputas judiciais e alvo da atenção até da imprensa nacional.

O começo de tudo tem data precisa: madrugada de 28 de novembro de 1987, quando cerca de cinco mil pessoas – a estimativa é da imprensa, à época – ocuparam o antigo aeroporto da cidade que os mais antigos denominavam “campo de aviação”, contíguo ao bairro Campo Limpo. À frente do grupo estava o intrépido líder dos sem-teto, George Américo Mascarenhas, então com 26 anos, conhecido como “rei das invasões”.

O Jornal do Brasil – diário carioca que foi o principal jornal impresso do País durante muito tempo – registrou, na edição de 5 de dezembro daquele ano, que o terreno “foi ocupado numa ação programada pelos sem-teto, em que não faltaram o hasteamento da Bandeira do Brasil e o canto do Hino Nacional”.

A publicação também registrou o cenário inicial daquilo que lembrava muito um acampamento ou um campo de refugiados: “Muitas famílias já estão morando em toscos barracos improvisados, feitos à base de lona, plásticos e restos de materiais de construção. Outros invasores apenas demarcaram os lotes”.

Quem não gostou daquela ocupação – a 21ª liderada por George Américo, conforme contabilidade dele próprio – foi o então prefeito José Falcão da Silva, do PDS, que ameaçou: “É melhor que eles saiam através da Justiça que pela força da polícia”. 

A primeira providência do então prefeito foi requisitar a reintegração de posse à Justiça.

A segunda foi anunciar um recadastramento das famílias, que seriam contempladas no ano seguinte com moradias baratas em um plano de habitação popular, o Planolar.

Ironicamente, muitos ocupantes tinham cadastro anterior na iniciativa, mas nunca foram atendidos.

Protesto – Dias depois da ocupação, um protesto defronte à prefeitura reuniu mil manifestantes, sob a batuta de George Américo, que anunciava resistência: os sem-teto só sairiam do terreno “se for diretamente para o cemitério”. A manifestação paralisou o centro da cidade.

Àquela altura, a Justiça já havia concedido a reintegração de posse à prefeitura. Foi o que noticiou o JB em 15 de dezembro de 1987.

Veio, então, o fato inusitado: a Polícia Militar não cumpriu a determinação judicial de reintegração, o que deixou o então prefeito José Falcão indignado, queixando-se da insubordinação do comandante local da PM: “Nunca vi uma coisa dessas”, disse e o Jornal do Brasil de 18 de dezembro registrou.

Waldir Pires, governador da Bahia à época, alegou para o presidente do Tribunal de Justiça que a desocupação implicava em “problemas sociais graves, porque a ocupação é muito grande”.

Até aquele momento, parecia que a reintegração era questão de tempo: bastava à Polícia Militar definir a melhor estratégia para remover os ocupantes.

A tensão crescia com a expectativa da desocupação forçada do antigo campo de aviação. Dias depois, antecipando-se a possíveis distúrbios, o governador Waldir Pires determinou a desapropriação da área e a incluiu no programa Minha Casa.

A medida representou uma vitória dos sem-teto, no geral, e de seu líder inequívoco – George Américo – no particular. 

Prisão e morte  – Aquele tenso dezembro de 1987, no entanto, ainda reservaria algumas surpresas. Uma ordem de prisão foi expedida contra George Américo e ele acabou preso, conforme matéria do Jornal do Brasil do dia 24, véspera de Natal: “Foi preso ontem e levado para o Departamento de Polícia do Interior (Depin), em Salvador, ‘para evitar comoção social, ajuntamento os protestos’ dos favelados”.

A prisão aconteceu na casa da sogra dele, no bairro Jardim Cruzeiro, quando estava em companhia da mulher e das duas filhas. A ordem de prisão foi expedida sete dias antes e a juíza responsável pelo caso chegou a acusar a polícia de fazer “corpo mole” para prender a respeitada liderança.

Na mesma matéria, há uma declaração premonitória de George Américo, logo depois da sua prisão: “Só paro quando me matarem ou quando não existirem mais famílias sem teto”. Seguiu com um discurso candente: “Ninguém ajuda o povo carente, que precisa de uma pessoa esclarecida para defender seu direito de morar. O povo produz tudo e não tem nada. Os poderes públicos só fazem alguma coisa quando acontecem as ocupações. Aí sim, a solução aparece”.

George Américo era dado como vereador eleito no pleito que se aproximava, de 1988. Alguns já previam uma votação consagradora, pois se tornara liderança indiscutível.

A morte – nunca esclarecida pela polícia – interrompeu a trajetória de maneira trágica.

Seu cadáver foi encontrado no dia 5 de maio de 1988, às margens do rio Jacuípe, com dois tiros de escopeta.

Uma multidão acompanhou o sepultamento no Cemitério São Jorge. A precária invasão inicial se converteu em conjunto, que ganhou o nome do seu principal líder. Hoje, é uma das principais comunidades da maltratada periferia feirense.

Mesmo morto tão precocemente, George Américo tornou-se uma das principais lideranças comunitárias da História da Feira de Santana.

André Pomponet  é  jornalista

A sete meses para as eleições, em Feira de Santana existem  sete prováveis candidaturas ao cargo de Prefeito do município.
Em 20 anos essa é a segunda vez que está diretamente fora do  páreo o ex-prefeito José Ronaldo (DEM).
O primeiro a se lançar na disputa  foi o deputado federal Zé Neto (PT) após  uma decisão  unânime do partido dele em Feira. Zé Neto é um veterano em eleições. Candidato  a prefeito  pela primeira vez em 1996, o deputado disputou mais três vezes. Nas pesquisas divulgadas até o ano passado, ele aparece na dianteira da preferência popular.
O atual prefeito,Colbert Martins (MDB),que foi  o vice de José Ronaldo na eleição de 2016, é canditato à reeleição.
A  deputada federal Professora Dayane(PSL) eleita na esteira da popularidade do presidente Jair Bolsonaro em 2018, também já se declarou candidata.
O PSOL, que nas últimas eleições lançou  o professor  Jhonatas Monteiro, este ano deve participar  da disputa  com  outro nome ainda não decidido. Monteiro quer se candidatar  a   vereador.
Uma frente  com quatro partidos (PC do P, PSB, PV e Rede) formada em Feira também vai ter um candidato que deve ser escolhido entre o  vereador Roberto Tourinho e os ex-deputados Sérgio Carneiro e Angelo Almeida.
O deputado estadual  Targino Machado (DEM) também já  anunciou que entra na disputa, assim como seu ex-colega de Assembleia, radialista e ouvidor do estado, Carlos Geilson(Podemos).
Outros nomes e outras siglas podem surgir mas essas já definidas certamente  serão  as maiores  protagonistas  do  pleito se algum “fato novo” não sobrepujá-las.

Com uma história que se assemelha com o cotidiano feirense, o filme “O Tabaréu Urbano”, dirigido por Ícaro de Oliveira, conta a saga de um homem do campo em um dia de segunda-feira em Feira de Santana.

Valorizando a cultura local e enaltecendo as raízes da cidade, o filme será lançado ainda em 2020.

O longa-metragem narra cenas de um dia na vida de um matuto sertanejo que se aventura na cidade.

O filme, que se passa na zona urbana e rural de Feira de Santana, traz a realidade do homem que vive entre o campo e a cidade.

A ideia basicamente é tratar deste personagem interiorano do sertão, muitas vezes tratado por “tabaréu” pela sua maneira simples de viver, em contraponto com suas experiências ao deslocar-se para a zona urbana. Mostrando situações e causos do seu cotidiano”, explica o cineasta e diretor do filme, Ícaro de Oliveira.

O aspecto histórico do lugar inspirou o título do filme que lança um olhar humano sobre o cotidiano dos moradores, viajante e flutuantes da cidade.

“O Tabaréu Urbano” conta com nomes consagrados do cenário baiano e nacional, entre eles: o mestre Asa Filho, o comediante Pisit Mota, o músico Pedro Pondé e o compositor e ex-parceiro musical de Raul Seixas, Wilson Aragão.

Além destes, também tem nomes locais como Guda da Matinha, Dona Chica do Pandeiro, Marcia Villar e Eduardo Borges.

Realizado pela produtora independente Atelier Filmes, o filme conta com o apoio financeiro de diversas empresas privadas e alguns editais públicos, entre eles o Laboratório Análise e o Pró Cultura Esporte e Lazer de Feira de Santana. Prestes a ser finalizada, a obra que já gera grande expectativa será lançada brevemente em território nacional nos cinemas e em diversas plataformas, além de circular internacionalmente através de mostras e festivais.

Ficha técnica:
Direção: Ícaro de Oliveira
Roteiro: Asa Filho
Imagens: Ícaro de Oliveira e Augusto Bortolini
Montagem: Augusto Bortolini
Som Direto: Breno Tsokas
Desenho de Som: Pedro Patrocínio
Base do Elenco: Asa Filho, Pisit Mota, Pedro Pondé e Wilson Aragão

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