COLUNAS

Depois de conversar com o ex-prefeito José Ronaldo dentro do carro,por duas horas, o deputado Targino Machado saiu falando  em “ganhar eleição“. Mas não a dele, e sim a do “grupo”.

Depois de deixar o ex-prefeito em casa, Targino estava “manso”:

“Em vez de a gente aprofundar as divisões a gente prefere juntar porque o objetivo de José Ronaldo é o mesmo que o meu: ganhar a eleição”, disse ao site Acorda Cidade.

E completou:

“A eleição deste ano é atípica. É a primeira vez em 20 anos que estamos vendo o grupo político que está no poder, com divisões”.

É como disse o filósofo citado pelo jornalista  Adilson Simas:

“a candidatura caiu do telhado” em duas horas de conversa.

Sonhar com a Câmara é para quem tem voto

 

por André Pomponet

Aos poucos o feirense vai se envolvendo com o clima das eleições municipais. É que, pelas ruas, já se vêem adesivos de pré-candidatos em para-choques e vidros de automóveis.

Alguns pré-candidatos mais afoitos, já estão apertando mão de eleitor há tempos, anunciando mudanças drásticas, comprometendo-se em atender às aspirações do cidadão. Promessas do gênero já se ouviram na “onda vermelha”, na “onda azul” e, mais recentemente, em 2018, com a “nova política”. Deu no que se vê por aí.

A lufa-lufa vai se intensificando porque, logo depois do Carnaval – quando o ano político formalmente desponta –, abre-se a janela partidária em 05 de março. 

A partir daquela data e até 05 de abril, todo mundo que almeja mandato em 2020 poderá mudar de partido ou ingressar num deles, caso seja retardatário ou indeciso.

Muita gente suspira por fórmulas mágicas para garantir eleição com menos votos. No fundo, em eleição não há muito espaço para sonho: ganha sempre quem é mais votado. Os resultados aqui na Feira de Santana, em 2016, mostram que as chances de quem corre por fora são residuais.

Os nove primeiros colocados – e eleitos – cravaram, no mínimo, 5,1 mil votos. É muita coisa numa cidade com cerca de 380 mil eleitores.

Os 17 primeiros – grupo composto por quatro suplentes que acabaram assumindo o mandato – tiveram, pelo menos, 3,8 mil votos, aproximadamente.

Mesmo a partir daí a margem para milagre é bem restrita. Outros três eleitos tiveram, pelo menos, 2,9 mil votos. Ficaram à frente de gente que, com mais votos, amargou a suplência e ficou à espera da ascensão dos vencedores para as secretarias municipais. Isso quando eles próprios não foram alçados, é óbvio.

Na sequência, três candidatos gravitaram em torno de dois mil sufrágios. E somente um chegou à Câmara Municipal com 1,8 mil votos. Gente com desempenho eleitoral mais robusto – vários – ficou pelo caminho com até 1,1 mil votos a mais.

Muita gente corre em busca de “milagre” semelhante: ingressar numa legenda modesta que garanta eleição com menos de dois mil votos. Muito da movimentação que se vê por aí deriva dessa crença. Só que, apesar das esperanças, o jogo eleitoral vem se afunilando eleição após eleição e quem não dispõe de uma batelada de sufrágios tende a ficar cada vez mais alijado do jogo.

A novidade da cláusula de barreira e a proibição da coligação proporcional tendem a tornar o jogo menos imprevisível, desencantando os esperançosos. Os grandes partidos e os players eleitorais tendem a se firmar no longo prazo. Isso a princípio favorece, inclusive, quem já exerce mandato.

Esses fatos tendem a tornar menos frenético o jogo eleitoral? Nem tanto. Muitos miram uma cadeira no Legislativo, mas se contentam com um cargo de confiança com salário menos polpudo no Executivo. Expectativas do gênero, portanto, sinalizam para a manutenção do embalo nos próximos pleitos… 

Andre Pomponet é jornalista

 

A Defensoria Pública do Estado da Bahia – DPE/BA em Feira de Santana ajuizou Ação Cautelar preparatória de Ação Civil Pública em amparo aos camelôs e ambulantes da cidade. O caso envolve a construção de empreendimento em parte da área que compreende o tradicional Centro de Abastecimento da cidade.

A ação requer que o município e as empresas concessionárias da obra suspendam imediatamente toda e qualquer execução do projeto de construção do denominado Shopping Popular.

O texto observa ainda que é preciso regularizar a iniciativa cumprindo com os requisitos legais e constitucionais de efetiva participação e controle social, com participação dos ambulantes e camelôs, na requalificação do espaço.

A construção do Shopping Popular na área do Centro de Abastecimento tem gerado apreensão na comunidade dos vendedores ambulantes de Feira de Santana.

A partir da inauguração do empreendimento, que será administrado por consórcio privado, a municipalidade pretende direcionar os trabalhadores informais que atuam nas ruas do centro da cidade para o novo espaço.

Além de destacarem a ausência de participação popular no processo de requalificação e ocupação da área comercial, os trabalhadores informais têm denunciado ainda o alto custo do aluguel e rígidas condições de contrato para locação dos quiosques no que será o novo espaço. Assinalam também a impossibilidade de que todos sejam recepcionados já que existem apenas 1.800 vagas previstas para um grupo estimado de cinco a oito mil camelôs atuando nesta área da cidade.

“A ação requer que o município e as empresas adotem imediatamente medidas efetivas para regular de forma adequada o contrato de locação a ser firmado entre locador e locatários (camelôs e ambulantes), declarando nulas cláusulas contratuais apontadas como abusivas. Obriga ainda o município a se abster de praticar quaisquer atos que violem o direito à cidade e ao trabalho dos ambulantes e camelôs, que devem ser mantidos em seus atuais locais de trabalho até o julgamento definitivo da ação”, explica a defensora pública Júlia Baranski, autora da ação cautelar em conjunto com o defensor público João Lucas

A APLB de Feira liderou  hoje quarta-feira, 19,  um ato de protesto frente ao  Núcleo Territorial de Educação – NTE, em Feira de Santana.

O sindicato dos professores pressiona o   Governo Rui Costa  pelo reajuste de 12.84% de forma linear para todos os professores estabelecido pelo Ministério da Educação para 2020, bem como um projeto de mudança da previdência dos servidores públicos.

Os professores reivindicam também da gratificação de difícil acesso de diversos professores que não receberam ou foram suspensos, Tabela, Piso Salarial, Reforma do Ensino Médio, Bolsa Auxílio, e uma série de outros itens que foram entregues ao governo.

por  Antônio Rosevaldo

Não adianta alguém se indignar com o xingamento e machismo do cara na presidência. Não vou aqui chamar de presidente, afinal ele é muito fraco, posso até afirmar que ele será considerado o pior presidente da história do Brasil . Mas não será pelos atos indecorosos, afinal tem quem goste, basta ver os imbecis que riem e aplaudem suas grosserias matinais.

Mas o que vem pela frente é uma crise sem precedentes.O dólar bateu R$4,36 e aí reside o troféu abacaxi do cara que ocupa a presidência.

Com uma população de 40 milhões de desempregados, subutilizados, desalentados,subocupados ou sem condições físicas de trabalhar e sem renda, o dólar elevado pressiona a inflação de custos das empresas que dependem de importações, e com a força de trabalho precarizada e a iminente chegada da inflação,a merda vai bater na canela da classe média já envergonhada por ter batido panela,ir as ruas vestindo a camisa da corrupta CBF.

E nem venham me falar em retomada do mercado de trabalho , pois a quase totalidade dos empregos gerados ano passado, foi na faixa de até 1,5 salário mínimo.

E também não me venha dizer que “agora vai”, pois não vai nem com reza liberal, afinal um PIB de 0,89 %, bem menor que o 1,3% de Temer mostra que a desaleracao do último trimestre de 2019 vai nos jogar na crise e o cara que ocupa a presidência na latrina da história .

E, por fim, a ironia das ironias, quem está ainda segurando a chegada deste cenário rocambolesco, pasmem, são as reservas que estão sendo queimadas, dia após dia, sem conseguir segurar o câmbio inclemente. Justamente as reservas deixadas por “tia Dilma”. E aqueles que diziam que o PT quebrou o Brasil , estão usando e abusando da poupança da era petista.

Melhor ir encontrar a solução urgente num posto Ipiranga de verdade.

Antonio Rosevaldo Ferreira é economista e professor universitário

No dia 1º de março acontece o desfile dos muladeiros pelas principais avenidas da cidade, no 11º Encontro de Muares de Feira de Santana

A saída será às 10h da rua Campina Grande, próximo ao viaduto da avenida Maria Quitéria.

A expectativa é que a cidade receba cerca de 400 animais, oriundos de cidades da Bahia e de outros estados brasileiros, como Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Sergipe.

De acordo com o organizador do evento, Carlos Alberto Ferreira de Souza, mais conhecido como Carlô  (foto), o encontro feirense é o segundo maior do país.

“Ficamos atrás apenas do evento que acontece em Iporá, em Goiás, onde estivemos representando Feira de Santana e a Bahia, e testemunhamos um evento com a presença de cerca de 4.500 muares“.

Para o encontro em Feira é esperada a vinda  do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, além de criadores conhecidos como Fernando Abati, de Minas Gerais e Zenobio Cedraz, do município de Valente, na Bahia.

por Adilson Simas

ACM Neto no Bahia Notícias:
Presidente nacional do DEM, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), disse que não veta a pretensão do deputado estadual Targino Machado (DEM) de querer ser candidato a prefeito de Feira de Santana, mas o democrata soteropolitano afirmou que quer a união do grupo na cidade.

Não me cabe autorizar nem vetar a pré-candidatura dele. Temos conversado no sentido de promover uma ampla frente em Feira. Trabalharei, ao lado de José Ronaldo [ex-prefeito de Feira de Santana], para que todos estejam no mesmo palanque. Tal como estamos fazendo em Salvador. Ele tem o direto de se colocar, mas, na hora certa, vou fazer de tudo pra termos um só candidato“, disse Neto ao Bahia Notícias. AQUI

Memória – No tempo do filósofo Adolfo de Xepa, quando uma pretensão era descartada sutilmente, ele dizia sem pensar duas vezes:
A candidatura caiu do telhado

Adilson Simas é jornalista

por André  Pomponet*

Ano de eleição é período bom para se tentar discutir questões estruturais que envolvem a vida dos municípios. Incluindo aí, óbvio, as da Feira de Santana.

Quem acompanha com atenção o noticiário político percebe que as “grandes obras” dominarão, mais uma vez, a agenda eleitoral. O atual prefeito, Colbert Filho (MDB) – candidato à reeleição – saiu na frente, anunciando um amplo pacote.

As intervenções incluem a duplicação de dois viadutos – os das avenidas Maria Quitéria e João Durval – e a requalificação do centro comercial, que vai começar depois da controversa remoção dos camelôs e ambulantes para o Shopping Popular, ali na área do Centro de Abastecimento.

O início da operação do BRT – Bus Rapid Transit – é outra promessa. Como a obra se arrasta há muitos anos, também figura no rol das polêmicas.

Os sucessivos adiamentos na inauguração do Shopping Popular, a rejeição manifesta de muitos trabalhadores à remoção e a excessiva proximidade do calendário eleitoral – que amplifica os efeitos da medida, para o bem e para o mal – tornam a iniciativa uma vidraça.

Mas, caso tudo dê certo, pode virar vitrine.

O que é que vai prevalecer? Isso só o posicionamentos dos atores em cena vai indicar.

O BRT é outra iniciativa controversa, sobretudo porque o sistema de transporte público na Feira de Santana é péssimo. Isso se aplica, principalmente, quando se considera o porte do município. Tarifas elevadas, veículos mal-conservados e longas esperas atormentam o feirense e o lança aos aplicativos de transporte, às motos e motonetas e – no caso dos mais abastados – aos próprios automóveis.

É bom ressaltar: essas iniciativas – mais adiantadas e, portanto, em condições de repercutir junto aos eleitores até a romaria às urnas eletrônicas –, caso engrenem, vão favorecer Colbert Filho, impulsionando sua reeleição.

Se os embaraços se avolumarem, surtirão o efeito oposto.

É sempre bom lembrar, porém, que, embora influam, estas iniciativas, por si mesmas, não vão determinar o resultado das eleições.

Caso o pacote de obras saia do papel e seus resultados sejam percebidos de maneira favorável pelo eleitorado, até outubro, o prefeito amplia suas chances. Caso emperre, surgirão as dúvidas, as contestações, as cogitações sobre nomes alternativos.

É claro que a agenda de obras é apenas parte do cenário eleitoral. Nele, as costuras partidárias pesam muito e, a depender da circunstância, podem ser determinantes. É por isso que aqueles que acompanham a vida política do município conservam a cautela e aguardam os próximos desdobramentos, pois tudo ainda está nebuloso.

No entanto, caso o pacote de obras integre um conjunto articulado de iniciativas que, agregadas, componham um plano de desenvolvimento, pode funcionar como excelente chamariz eleitoral. Ou vitrine, para recorrer à expressão já empregada. 

Isso vale, é evidente, para todos os candidatos. O único risco – e isso também é aplicável a todo mundo – é que, dependendo do contexto, a vitrine se transforme em vidraça.

André  Pomponet  é jornalista

foto ilustrativa: manifestação  na porta da  Prefeitura


 por Socorro Pitombo*

Ele é considerado a própria essência do cangaço. Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião, já foi tema de inúmeras publicações, novelas, filmes, seriados, músicas e folhetos de cordel. Personagem mítico e controvertido, ele continua vivo no imaginário popular do sertanejo, amado por uns, odiado por outros.

 Um fenômeno do banditismo? herói lendário? Essa já desgastada polêmica dá lugar a um personagem definido como “o mais puro e cruel representante do tosco e desumano liberalismo brasileiro”. É assim que o Rei do Cangaço é apresentado no livro Um repórter do futuro no bando de Lampião, escrito pelo jornalista Marcondes Araújo.

Curiosamente, essa figura fascinante da história brasileira, acusada de roubar políticos e coronéis, atacar fazendas e povoados e sobretudo de encomendar a alma de muita gente, só não foi lembrada na literatura, o que acontece agora, com a publicação de Marcondes Araújo, que foi buscar nas lembranças da sua família, inspiração para compor a obra.  

Com uma escrita fácil e atraente, que prende a atenção do leitor logo nas primeiras páginas, ele utiliza o recurso da intertextualidade como fio condutor da narrativa. Para tanto, vai inserindo no enredo recortes de textos literários, dos mais variados autores, entre os quais Chico Buarque de Holanda, Glauber Rocha, Guimarães Rosa, Sergio Ricardo, Luiz Gonzaga, além de Tom Zé, Torquato Neto, Alceu Valença, Kafka, Nietzsche e Geraldo Vandré. 

 Baseada em fatos reais, entremeada com fantasia onírica, a história contada no romance de Marcondes Araújo, surgiu dos casos que ouviu desde criança, contados por sua mãe, Maria Clara. O pai dela, João Gomes da Silva, conhecido como João da Mata, selou o cavalo do bandoleiro. Ela conheceu pessoalmente o Rei do Cangaço, quando tinha 12 anos, no povoado Serra dos Morgados. Ali, o cangaceiro pernoitou, rumando em seguida para Brejão da Caatinga, onde matou seis soldados, na praça do vilarejo. 

  O trabalho é resultado de minuciosa pesquisa em livros e documentos, que se estendeu por cerca de três anos, com algumas interrupções, incluindo a produção do texto. Com 265 páginas, o livro é uma auto – publicação pela Amazon. A capa é de João França, com foto assinada por Lauro Cabral de Oliveira. 

Diferente do que se sabe até hoje sobre Lampião, o romance mostra não apenas a figura perversa do todo poderoso chefe do cangaço, que espalhou o terror e o medo em terras da Bahia, Pernambuco e Alagoas e acabou degolado  na Grota do Angico, no sertão de Sergipe; mas também o lado humano de Virgulino, que tinha o hábito de rezar sempre ao cair da tarde, mesmo que estivesse sob o mais renhido combate. 

Além disso, trazia sempre consigo uns patuás, que guardava nos embornais, demonstrando uma religiosidade escondida sob a capa da crueldade. Aliás, como é da própria natureza do ser humano, o bem e o mal caminham lado a lado. Tanto é assim que Lampião quase abandona a carreira criminosa, o que não aconteceu porque teria sido traído pelo coronel Petronílio Reis, influente proprietário de terras no Norte da Bahia, em cuja fazenda esteve hospedado durante quatro meses, como revela a narrativa. 

Tudo começou quando o suposto jornalista, Aparício Vieira, chegou à vila de Santo Antônio da Glória, situada nas proximidades das divisas com Pernambuco, Alagoas e Sergipe, para um encontro com o coronel Petronílio Alcântara Reis, intendente do lugar e um dos maiores fazendeiros e chefes políticos de todo o Nordeste da Bahia.

Ele se aproximou do coronel com o pretexto de fazer uma entrevista com Lampião para a revista O Cruzeiro, publicação que seria lançada em breve no Rio de Janeiro e da qual era correspondente em Feira de Santana. A partir daí, o personagem do jornalista vive as mais incríveis aventuras que o projetam no tempo: do passado ao futuro, até voltar ao presente no final da narrativa.

Nas suas andanças pelo interior do sertão, o personagem faz uma regressão no tempo, ao reconhecer a própria mãe, ainda menina, escondida por trás de um grupo de mulheres. Ela olha para ele furtivamente entre curiosa e encabulada, mas sem saber que um dia ele seria o seu filho. Esse episódio fantasioso vem juntar-se a um outro não menos intrigante, quando os moradores da vila, juntamente com os cangaceiros varam a madrugada dançando como autômatos, ao som do xaxado, como se estivessem em transe. Ao acordar no dia seguinte, o jornalista não consegue discernir entre sonho e realidade. 

 

Durante a sua permanência na Vila e na fazenda Gangorra, uma das propriedades do coronel, ele acompanha o dia-a-dia do chefe do cangaço, de quem vai se aproximando cada vez mais, com o pretexto da entrevista. Na verdade, queria apenas conhecer de perto aquela figura lendária, cuja fama de perversidade atravessara as fronteiras do país. 

Como visitante ilustre, pois não era comum aparecer por ali um jornalista, Aparício Vieira, aproveitou para conhecer de perto outros moradores do lugar, como João Cambaio, um dos seguidores de Antônio Conselheiro, ex-combatente da guerra de Canudos, que agora vivia recluso em seu casebre, remoendo a perda de familiares e o remorso de não ter lutado até o fim para protegê-los. 

Ao contar as proezas de Lampião pelas terras nordestinas, o autor nos dá toda uma dimensão histórica, indo buscar não só o relato da guerra de Canudos, como também a luta da Coluna Prestes, mostrando o que seria, através do personagem Viriato Cedraz – o caixeiro-viajante e bem falante -, a revolução dos camponeses contra os grandes latifundiários.

Outro aspecto interessante no livro é a forma como vão se delineando os   personagens secundários. São figuras emblemáticas do cangaço, a exemplo de Ezequiel Ponto Fino, sujeitinho antipático e arrogante, que se prevalecia da condição de irmão do rei do cangaço para arrotar valentia. Volta e meia, se envolvia em confusão, principalmente com as mocinhas da roça, usando a força para conquistá-las. 

Havia também o Anacleto, conhecido como Deus-te-guie. Cangaceiro neófito e muito medroso, logo cedo entendeu que não tinha vocação para aquela vida estropiada e cheia de perigos. Mariano, o artista do grupo, querido por todos por ser bom cantor e tocador de sanfona e violão.

 Afora os cangaceiros, se impõe a figura de Madalena, a filha esquisita do coronel, que diziam virava mula-sem-cabeça, nas noites de lua cheia. Zeca Mendonça, o dono da venda em Itumirim, em cuja porta permanece inscrita como patrimônio histórico do lugar, a frase “Capitão Virgulino mira bem”, feita pelo próprio Lampião, para lembrar que era bom atirador.

Entrevista conseguida estava na hora de voltar para o outro mundo. Esporeando o cavalo, ele gritou para Anacleto, “é agora”. E os dois saltaram para a janela tremeluzente, ali desaparecendo por entre uma enorme instalação, feita de mantas de couro de boi enroladas em varas retas e compridas enfiadas no chão e apontadas para o céu em diversas direções. Era a arte de Juraci Dórea, e foi por dentro dela que os dois desapareceram.

Marcondes Araújo é jornalista, com vários livros publicados, entre contos e microcontos. Além desse romance, ele nos acena com outra publicação do gênero, ainda inédita, Memórias de um possível vencedor e de mais dois livros de contos também ainda inéditos, Histórias cruéis da infância e Contos Fantásticos. 

Socorro Pitombo é jornalista


A Sociedade Filarmônica 25 de Março promove entre os dias 20/02, 04/03 e 15/03 o Projeto Coreto Cultura, que consiste na realização de apresentações didáticas em escolas públicas pela banda de Música da 25 de Março. Nesta primeira edição serão contemplados o Colégio Estadual Coriolano Carvalho e o Centro de Ensino e Cultura Dr. Eduardo Fróes da Motta. O encerramento acontecerá no dia 15/03 na Praça Fróes da Motta.

Antonio Neves, regente da banda, explica que o objetivo do projeto é “contribuir com o fortalecimento da identidade cultural local, e estimular o ingresso de novos membros na banda de música da Sociedade Filarmônica 25 de Março”.As apresentações são gratuitas e abertas à comunidade. O Projeto Coreto Cultural tem o patrocínio da Belgo Bekaert Arames, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e é produzido pela Sociedade Filarmônica 25 de Março, realizado pelo projeto Favela é isso Aí, pela Secretaria Especial da Cultura, pelo Ministério da Cidadania e pelo Governo Federal.

Confira a programação:


20/02 às 15h – Colégio Estadual Coriolano Carvalho –  Bairro Sobradinho

04/03 às 19h30min – Centro de Ensino e Cultura Dr. Eduardo Fróes da Motta – Bairro Baraúna
15/03 às 15h10min – Praça Fróes da Motta – Centro
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