
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão ligado à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) denunciou um “ataque do Estado” ao povo Pataxó no Sul da Bahia, nesta quinta-feira, relatando uma gigantesca operação policial para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão. Conforme imagens gravadas pelos Pataxó, é possível ver policiais militares e civis nas aldeias, revistando casas e efetuando disparos. “Policial atirando, atirando nas mulheres, crianças. Criança passando mal. Vão atacar dentro da aldeia! Dentro da aldeia!”, diz um Pataxó em um dos vídeos (na página do Instagram ).
A operação acontece dias depois de mobilizações dos Pataxó em Brasília (DF) e na região pela regularização dos territórios reivindicados. A Polícia Civil, que contou com o apoio da Polícia Militar, declarou à imprensa que os mandados foram expedidos devido a investigações acerca de indígenas que têm ameaçado “proprietários de terras” na região.
Helicópteros, ao menos 20 viaturas e policiais sem identificação ou trajando uniforme, usando máscaras, todos fortemente armados, fizeram uma espécie de varredura, sobretudo em áreas retomadas no entorno do Monte Pascoal.
Os indígenas chegaram a identificar fazendeiros e pistoleiros entre os policiais. Ainda conforme a apuração, policiais invadiram casas sem apresentar mandado ou qualquer sinal de respeito, tratando os indígenas como bandidos, e usaram bombas e spray de pimenta.
O governo da Bahia anunciou havia anunciado ontem, quarta-feira (19) a criação de um grupo de trabalho para tratar do que chama de “conflito” entre indígenas e os invasores das terras tradicionais. Além dos representantes da gestão estadual, o grupo contará com integrantes da Federação da Agricultura da Bahia (FAEB) e das organizações indígenas.
Confira as imagens registradas pelos indígenas.