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Romildo Alves
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025 / Publicado em Colunistas, Cultura, Home

Professores das academias desconhecem ainda o nome de Rogaciano Leite, que pena!

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*Carne e Alma* é a matéria e o espírito da poesia em forma de livro. Lê-lo é um privilégio que consegui tardiamente. Muitos literatos, professores das academias desconhecem ainda o nome de Rogaciano Leite, que pena!

O nome já me era conhecido há um bom tempo, como um poeta bem gabaritado na boca de Maciel Melo, de Antônio Marinho, e do mestre Chico Pedrosa. Este último foi o responsável por fazer chegar esta relíquia poética em minhas mãos.

Considerado pela crítica como o sucessor de Castro Alves, Rogaciano passeia por todos os movimentos e formas literárias. É helênico, clássico, romântico, realista, sombolista, vai da erudição parnasiana às gerações modernistas ambientadas no sentimento e nos modos do povo simples, na oralidade.

Carne e Alma é dividido em três partes: Poemas sertanejos, Versos a esmo e Lianas Amazônicas. Traz a fortuna crítica, desta e de edições anteriores da obra, e conta com lindas ilustrações de Maurício Negro, em seu interior e na capa, que já nos põem em contato com universo encantador de suas páginas. Reúne temas diversos que demonstram a habilidade extrema do seu poeta com as palavras, com o sentimento de um Brasil multifacetado. Poemas ambientados em sua terra, São José do Egito, em outras cidades pernambucanas, mas também em Fortaleza, Manaus, e Santos, entre as décadas de 1930 a 1950. Cantam o belo, os deslumbramentos com a natureza, com o amor, a amizade, e os monumentos humanos. Mas não se furtam à denúncia, ao clamor por justiça, pela liberdade dos novos escravizados, aspecto que mais assemelha Rogaciano ao nosso condoreiro, a quem dedica alguns versos como no poema “Acorda, Castro Alves!”. Nessa linha de poemas destaco “Os trabalhadores”, de 1947, cujo conjunto dos vocábulos é discurso forte, cortante:

“[…]

No entanto, vede bem! Esses heróis sem nome,

Malditos animais que inda escraviza o ouro,

Arrastam – que injustiça! – O carro do Tesouro,

Atrelados à dor, à enfermidade e à fome!

[…]

Que é feito desse herói? Ninguém lhe sabe a origem!

O Poder nunca entrou nas palhas do seu teto…

Somente esposa enferma, o filho analfabeto, 

E lá nos cabarés, – a filha…que era virgem!

[…]

Quanto risoaqui dentro! E lá por fora, os brados!

Quantos leitos de seda! E quantos pés descalços!

Já que os homens não veem esses decretos falsos,

Rasga, Cristo, o teu manto! Abriga os desgraçados!…

Cada afirmação, questionamento, e principalmente cada reticências de seus versos dizem além de um trato minucioso em respeito à gramática, comportam sentidos que a palavra por si só não dá conta de transmitir. Ajustam seus poemas ao que diz a obra, traduzem Carne e Alma, do poeta, dos seus celebrados, dos seus protegidos, daqueles por quem roga Rogaciano.

É impressionante o grau de racionalidade do poeta presente neste livro, até em poemas marcados como improviso. Aliam-se a ele uma sensibilidade absurda, e repertórios rítmico, rímico e vocabular riquíssimos à serviço da razão, da emoção, e da leitura pazerosa.

Desejo que conheçam o poeta, esse livro e outras obras suas.

*Romildo Alves* – poeta cordelista, Mestre em Estudos Literários (UEFS), e professor da Rede Estadual de Ensino da Bahia.

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