José Ronaldo foi eleito 5 vezes como prefeito de Feira de Santana, além de vereador, deputado estadual e federal. Feira de Santana é o segundo maior colégio eleitoral da Bahia, com 426.887 eleitores. Desse modo, entender o papel de José Ronaldo e os dados eleitorais do município, é essencial para compreender as eleições na Bahia.


Mesmo quando não foi o candidato (como em 2008 e 2020), ele foi o principal articulador das vitórias de seu sucessor direto, Tarcízio Pimenta e Colbert Martins, respectivamente. A eleição de 2024 foi a primeira em que ele enfrentou um risco real de segundo turno contra o candidato Zé Neto (PT), vencendo com uma margem estreita acima dos 50%.

Em 2024, o candidato do PT, Zé Neto, conseguiu o seu melhor desempenho eleitoral, com 46,74% dos votos, quase levando a decisão para o 2º turno. Foi, neste ano também, que José Ronaldo registrou sua pior performance eleitoral (votos válidos) nas 5 eleições que disputou (e venceu) para prefeito.
FEIRA É LULISTA

Na disputa presidencial, desde 2002, os candidatos do PT venceram em Feira de Santana, mesmo tendo Zé Ronaldo como prefeito. Assim, Feira de Santana é lulista (votou em Lula, Dilma e Haddad). Já na disputa para governador, os eleitores permanecem fiel ao carlismo, elegendo o candidato de José Ronaldo. Já para o Senado, votam nos candidatos da chapa do PT.

QUE OS DADOS REVELAM? – Estabilidade presidencial: A votação do PT para presidente em Feira de Santana tem se mantido estável acima dos 50% em todos os pleitos desde 2002, atingindo seu ápice com Fernando Haddad em 2018 (62,8%). Embora Feira acompanhe a tendência petista para a Presidência, a cidade é consideravelmente mais “conservadora” ou inclinada à oposição estadual do que Salvador e a média baiana.
Divergência estadual: Em 2006, 2010, 2014 e 2022, Feira de Santana deu vitória ao candidato da oposição (Paulo Souto/ACM Neto) para o governo, enquanto o PT (Jaques Wagner/Rui Costa/Jerônimo Rodrigues) venceu no estado.
Força Local (2006/2018): Os picos de votação local para cargos proporcionais ou estaduais ocorrem quando há figuras da própria cidade na disputa. Em 2006, o ex-prefeito João Durval teve uma votação massiva para o Senado em sua terra natal. Em 2018, José Ronaldo (então candidato a governador) venceu com ampla margem no município, embora tenha sido derrotado no estado.
Cenário de 2022: Foi uma das eleições mais equilibradas para o governo em Feira, com ACM Neto (42,8%) vencendo Jerônimo Rodrigues (41,2%) por uma margem estreita no primeiro turno. Note que a força de ACM Neto em Salvador (52,79%) foi o que sustentou sua candidatura. Em Feira, ele venceu Jerônimo, mas com uma margem muito menor (apenas 1,6 ponto de diferença). No 2º turno de 2022, Feira ampliou a vantagem para a oposição:
* ACM Neto: 58,95% em Feira.
* Jerônimo: 41,05% em Feira.

PROJEÇÕES PARA 2026
Presidente e governador: Historicamente, Feira de Santana é um reduto de votação expressiva para o PT no plano federal.
* Tendência: Se a polarização se mantiver, Lula tende a manter a liderança na cidade, com percentuais que historicamente orbitam entre 60% e 65%.
* Oposição: O campo da direita/centro-direita (frequentemente associado ao Bolsonarismo ou à “terceira via”) costuma consolidar cerca de 30% a 35% dos votos no município, um desempenho superior à média de Salvador.
O “fator Feira”: A cidade tem um histórico de dar vitória à oposição estadual (ACM Neto/Paulo Souto), mesmo quando o PT vence no restante da Bahia.
Senado: As pesquisas mais recentes (como a Paraná Pesquisas e Real Time Big Data) mostram uma hegemonia do grupo governista:
Desde a eleição de Wagner, em 2006, os senadores eleitos foram da chapa do PT. Agora, com o trio Wagner, Rui e Jerônimo, o PT deve eleger os dois senadores.
O PAPEL DE JOSÉ RONALDO EM 2026
Qual deve ser o peso da traição?: Pesquisa nenhuma conseguirá aferir o nível de mágoa/dor/ressentimento que José Ronaldo tem por ACM Neto, após o ex-prefeito de Salvador ter o traído e tirado da chapa em 2022. Sem dúvida, José Ronaldo não é apenas o prefeito da segunda maior cidade da Bahia; mas tem um peso simbólico no processo eleitoral.
No Senado: José Ronaldo será vital para dar capilaridade a candidatos que não têm tanta entrada em Feira de Santana.
No Governo: sem a votação expressiva que Ronaldo garante em Feira, a candidatura de ACM Neto perde o fôlego necessário para enfrentar trio Wagner, Rui e Jerônimo, sobretudo em Feira de Santana, cidade historicamente lulista.
Yuri Almeida é estrategista político, professor, mestre em Comunicação (UFBA) e especialista em Marketing (USP). Criador do Método CAOS, atua em campanhas desde 2006 nas áreas de estratégia, análise de dados e gestão de comunidades. Atuou em campanhas eleitorais no Brasil e na Europa. É fundador do LabCaos, hub especializado em ciência de dados, inteligência e monitoramento de mídias sociais, centro de estudo, pesquisa e análise de dados, oferecendo serviços para empresas, instituições e políticos.
