“Em Feira de Santana, por exemplo, o rebanho católico encolhe, apesar do crescimento da população. Em 1991 os católicos representavam 334 mil pessoas. Dez anos depois, eram 327 mil, para recuar para 318 mil em 2010. Ao longo dos mesmos 19 anos, a população feirense passou de 406 mil para 556 mil. Todos os números são de censos do IBGE.”
“No sentido oposto, os chamados evangélicos expandiram-se de maneira robusta: eram, no total, 27 mil em 1991; saltaram para pouco mais de 80 mil no censo seguinte, alcançando, por fim, 108 mil fieis no último levantamento, em 2010. Representam, portanto, cerca de um sexto da população. O total agrega os chamados pentecostais e as demais vertentes, que se pulverizam em dezenas – talvez centenas – de denominações diferentes.” Catolicismo segue em queda em Feira, indica Censo 2022
Os dois parágrafos acima fazem parte de texto que escrevi há pouco mais de 10 anos – em 26 de fevereiro de 2015 – na Tribuna Feirense. O título era “Números da religião na Feira de Santana” e analisava a evolução das predileções religiosas aqui na Princesa do Sertão, com base nos números dos censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Os números do Censo 2022 já estão disponíveis e revelam que a tendência apontada acima se mantém.
O número de católicos, de acordo com o levantamento, caiu para 249,7 mil. O total de evangélicos, por sua vez, chegou a 169,3 mil. Caso as tendências se mantenham, talvez, no próximo Censo, a quantidade de evangélicos e católicos seja próxima. Mudança expressiva em 40 anos, quando o catolicismo predominava e os evangélicos representavam apenas uma fração do número de católicos, como mostrava o levantamento de 1991.
Também houve crescimento entre aqueles que se declaram sem religião, mas de forma residual: 71,2 mil. Nos censos anteriores houve um aumento expressivo, que perdeu fôlego. Eis mais um trecho do mesmo texto: “No Censo 1991 do IBGE, 31,4 mil feirenses declararam-se sem religião. Nove anos depois, em 2000, o número passou para pouco mais de 51 mil; No Censo 2010, novo salto: 68,3 mil pessoas afirmaram que não seguem nenhuma religião.”
No texto anterior não houve referência aos adeptos das demais religiões. No levantamento de 2022, constam 42,5 mil que abraçam essas opções. Nesse grupo estão incluídos os espíritas, praticantes da Umbanda e do Candomblé, seguidores de tradições indígenas e, também, aqueles identificados com “outras religiosidades”.
Comparando com o cenário de 1991, quando o catolicismo era força hegemônica, o cenário mudou significativamente, ganhando maior diversidade. É a conclusão do texto de 11 anos atrás, à qual recorro mais uma vez:
“Em suma, pode-se afirmar que hoje, de fato, existe maior diversidade religiosa. (…) O que se espera é que a reconfiguração das opções religiosas da população não conduza à divisão e à intolerância. Ao logo de séculos, as disputas religiosas funcionaram como combustível para conflitos fraticidas. Exatamente o oposto daquilo que Jesus Cristo pregou…”
Foto Arquivo/BF: Igreja Matriz de Sant’Anna
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