Estamos reivindicando [ao prefeito Zé Ronaldo] um quiosque que nos dê mais segurança pra trabalhar, mais um conforto pro cliente na hora de tirar sua fotografia, e também um local pra guardar os nossos acessórios, como máquina fotográfica e outros acessórios mínimos que temos para os clientes se arrumarem na hora da fotografia 3×4.
As palavras acima são do fotógrafo lambe-lambe, da Praça Coronel Bahia em Feira, em entrevista ao repórter João Guilherme, veiculada no programa TransNotícias da TransBrasil 99.5 FM. Leia a entrevista completa:
JOAO GUILHERME: Vocês terão uma reunião com o prefeito essa semana, mas há pouco, antes da gente gravar, vocês conversaram com o secretário Cristiano Lobo. Esse diálogo com o secretário foi produtivo, foi positivo, vocês tiveram uma boa recepção com o secretário?
ZÉ ALVES: Sim, foi muito valioso esse encontro com o secretário aqui com o nosso grupo de fotógrafos lambe-lambe. E ele me prometeu que amanhã com o prefeito Zé Ronaldo vai ter uma resposta valiosa, positiva pra gente ter os nossos quiosques com conforto pros nossos clientes de Feira de Santana e região.
JG: Seu Zé, o senhor tem mais de 50 anos nessa área. Há algum tempo, tivemos mudanças aqui no centro, parte foi realocada lá pro Shopping Popular. Explica pra gente como é que foi esse período de atuação do senhor aqui na praça.
ZA: Ó, já houve três mudanças. A primeira a gente ficou ao redor da praça. Aí teve a reconstrução da praça e tal, tudo bem. A segunda, antes da pandemia um bom tempo, a gente ficou do lado do Mercado de Arte. E a terceira foi que o Prefeito decidiu que ia dar certo lá no Shopping Popular, mas infelizmente deu negativo pra nossa área de fotógrafo lambe-lambe. Porque realmente foi boa a tentativa mas, na minha concepção e da maioria, a foto lambe-lambe, 3×4, só tem respaldo na praça. E lá não deu certo, uns abandonaram, como eu, e outros aqui… não deu, a gente não tinha condições de pagar um preço alto lá, que chegava a custar 400 e alguma coisa. E a gente não tinha condições. Aí foi o jeito abandonar e vir resistir aqui novamente tentar resgatar essa cultura tão valiosa de Feira de Santana que é o lambe-lambe.
JG: Atualmente, como é que tem sido a procura, como é que tem sido o movimento aqui na praça?
ZA: Depois da tecnologia, do celular e máquina digital, caiu 80%. Mas há sempre procura, tem empresa ainda que quer a foto 3×4. Para renovação de passe de deficiência, procuram. E algumas fotos mesmo de tradições de família, às vezes vem equipe da família, muito pouco… tirar uma foto pra guardar de recordação e tal.

JG: E o senhor sustentou sua família, seus filhos, a partir dessa praça, nesse ramo?
ZA: Esses 52 anos aqui, todos foi aqui com fotografia… não, vírgula. Em 90, década de 90, eu saí, fui convidado por um jornal da cidade. Fui, passei um bom tempo, me sindicalizei como repórter fotográfico. Fiquei fora do lambe-lambe uns cinco anos. Entrei na Revista Panorama, era o Grupo Bahia Artes Gráficas. Foi onde comecei. Foram patrões que me ajudaram muito, me qualifiquei, fiz curso pela Fuji e a Kodak através dessa empresa, Revista Panorama. E daí, graças a Deus e à minha competência, tive um convite pelo Jornal Feira Hoje onde fiquei de 90 até 95. Graças a Deus foi muito maravilhoso pra mim, e graças a Deus foi uma bênção essas portas que me abriram no jornalismo.
JG: E aí de 95 pra cá o senhor voltou pra praça?
ZA: Voltei pro lambe-lambe com novas atividades. Por exemplo, restauração de foto antiga. A importância da foto antiga. Se tiver, pode procurar Zé Alves, na Praça do Lambe-Lambe, conhecida Praça Coronel Bernardino Bahia, que eu sou o mestre da restauração de foto antiga.
JG: E ,quem quiser vir aqui tirar uma foto 3×4, fazer a restauração de foto antiga, quais são os dias, os horários que o senhor tá por aqui pela praça?
ZA: Ó, eu só tôu pela manhã. Todos os dias, pela manhã. E o tempo da entrega da fotografia 3×4 é 10, 15 minutos. A restauração, de acordo o estado da foto, aí dura… de um a dois dias, mais ou menos, já tá pronto.

