Há dois anos o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números do Censo 2022 referentes à alfabetização da população com idade superior a 15 anos. Nesta faixa etária, aqui na Feira de Santana, 93,4% sabia ler e escrever, considerando homens e mulheres. O número de analfabetos é declinante: 6,6%, percentual melhor que a média baiana (12,2%), mas inferior à soteropolitana (3,45%). Novas informações, divulgadas recentemente, ajudam a entender melhor o cenário.
Há equilíbrio na proporção de alfabetizados entre mulheres (93,5%) e homens (93,2%). Quando se parte para o recorte por cor ou raça, porém, as diferenças começam a ficar evidentes. A única cor cuja média de alfabetização é superior à média total é a branca: Homens e mulheres ostentam 96% de letramento.
Os pretos ocupam a condição mais desvantajosa: 91,14% dos homens e 91,41% das mulheres são alfabetizados, o que o corresponde a quase 5% de diferença em relação à população branca. Os pardos – boa parte da população feirense – ostentam condição um pouco melhor: 93,64% para os homens e 93,85% para as mulheres.
No universo pesquisado, há a população indígena, em que os homens (92,79%) são mais alfabetizados que as mulheres (91,81%). Por fim, há aqueles que se declaram amarelos, com 96,84% dos homens alfabetizados e 92,59% das mulheres. Apenas nestes dois segmentos os homens tem nível de alfabetização superior ao feminino, embora neles a população seja numericamente inferior às dos demais grupos.
Estes números oferecem elementos para diversas interpretações. A mais óbvia é que o acesso à educação está se universalizando e a chaga do analfabetismo vem se reduzindo nas últimas décadas. Os censos anteriores do IBGE atestam isso. A alfabetização, no entanto, é apenas uma etapa do processo educacional. Há acesso, mas a qualidade quase sempre deixa a desejar, conforme atestam outros indicadores.
O acesso à alfabetização caminha para a universalização, mas as históricas desigualdades de cor e de raça são visíveis na Princesa do Sertão. Pretos e pardos – sobretudo os primeiros – não dispõem do mesmo acesso que os brancos. Provavelmente não se trata só de uma questão de acessar a escola, mas de permanecer nela.
Note-se que os números tratam só de alfabetização. Não se destrincham as condições de permanência, que se refletem sobre os anos de estudo. Nestes, provavelmente, ficam mais agudas as desigualdades sociais e econômicas que afligem pretos e pardos, como inúmeras pesquisas e levantamentos indicam.
Desde a redemocratização que o Brasil avança no esforço de universalização da educação. Os resultados das políticas públicas são nítidos, como os números demonstram, inclusive na Feira de Santana. Mas educação não depende só de matrícula disponível. Os fossos sociais – alguns deles abissais para certos segmentos – freiam a emancipação de boa parte da população, como os números também atestam.

