Duas épocas, cenários e hábitos diferentes da Feira de Santana. Quatro Poetas da Feira: Eurico Alves e Godofredo Filho, vivenciaram a cidade do “chão de pó”, das feiras livres, já Antônio Brasileiro e Roberval Pereyr são poetas de uma Feira do barulho do motor e da complexidade urbana.
Dizem os amantes da literatura feirense que os dois primeiros , ambos falecidos, “abriram as portas da poesia para que o mundo visse a Feira” enquanto Antônio Brasileiro e Roberval Pereyr abriram as portas da Feira para que ela visse o mundo.
Em Eurico e Godofredo a cidade é descrita claramente em sua geografia física e de afetos humanos:
“Cidade do gado, do pó e do sol… / Ruas largas, / onde o vento brinca de redemoinho / e o cheiro do couro cru se mistura ao mormaço.”
(Poema da Cidade de Feira de Santana- Eurico))
“É o cruzamento de todos os caminhos, / onde a poeira das tropas se assenta / para dar lugar ao ritmo do progresso que chega, / sem pressa, mas sem volta.”
(Feira de Santana- Godofredo))
Já na poesia de Brasileiro e Pereyr a cidade não é descrita. Ela deixa de ser um “mapa” e vira uma “pintura” ou um pretexto para um mergulho ontológico.
“Onde o sol desenha o ângulo seco dos muros / e a tarde é uma lâmina de silêncio sobre o pátio. / A cidade não está fora, mas no modo como a luz fere o olho.”
(Poema da Cidade – Brasileiro)
“Ando por ruas que são frestas do tempo, / onde o concreto e o grito das gentes / dissolvem-se na busca de um pássaro que não pousa. / A cidade é o lugar onde o infinito tenta caber”.
(O Pássaro de Vidro – Roberval).

