Não é de hoje que, neste espaço, comenta-se sobre o grande vazio populacional que se verifica em algumas regiões da Feira de Santana, particularmente naquelas localizadas dentro do Anel de Contorno. Estes vazios, em parte, decorrem da ampliação de áreas residenciais nos limites da cidade, sobretudo de condomínios em bairros como SIM, Conceição, Santo Antônio dos Prazeres e Asa Branca, para mencionar apenas alguns deles.
Pois bem: o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em alguma medida, captou esse fenômeno, que se aprofundou nas últimas décadas. Os números são eloquentes: dos 288.188 domicílios particulares recenseados pelo IBGE, 221.592 (76,91%) estão ocupados, segundo o levantamento. De acordo com o conceito do instituto, abrigavam moradores no dia da coleta.
No conjunto dos demais domicílios, 48.847 estava vazios, o que corresponde a impressionantes 16,95% do total de residências. Mas não para por aí: 17.679 imóveis são ocupados apenas de maneira ocasional, equivalendo a 6,14% do total de domicílios particulares. Isso significa que mais de 66 mil imóveis em Feira de Santana estão sem uso ou com uso eventual.
O mesmo Censo 2022 apurou que cada residência particular abriga, em média, 2,77 pessoas. Isso significa que os imóveis vazios na Princesa do Sertão poderiam reunir 184,4 mil moradores. O número corresponde a quase um terço da população total do município. Praticamente, de cada quatro imóveis residenciais da Feira de Santana, um deles está vazio.
Como já mencionado, o boom imobiliário das últimas décadas reconfigurou o uso do espaço na Feira de Santana. Milhares migraram para as áreas outrora limítrofes da cidade, originando bairros inteiros que avançaram, inclusive, sobre antigas áreas rurais. Grande parte do impulso decorreu de programas habitacionais dos governos, como o Minha Casa Minha Vida.
No período, não se verificaram intensos movimentos migratórios em direção à Feira de Santana, nem houve acentuado crescimento nas taxas de natalidade, muito pelo contrário. Qual o desdobramento natural do processo? O esvaziamento inevitável do miolo da cidade.
Muita gente que trocou de casa tenta, ainda hoje, desfazer-se do imóvel antigo; outros realizaram o sonho da casa própria, livrando-se do aluguel, cuja demanda caiu; há, ainda, quem recorra a arranjos familiares porque não pode arcar com os custos dos alugueis, que elevaram-se. Há, principalmente, declínio nas taxas de expansão da população.
Enfim, diversas variáveis explicam o fenômeno que se percebe a olho nu e que os números do Censo 2022 atestam: há milhares de imóveis vazios na Feira de Santana, sem uso pelas mais diversas razões. Mergulhando nos números por setores censitários, certamente se extrairá respostas consistentes, que vão além das listas de possibilidades, como a indicada acima.
Os números do IBGE lançam luzes sobre a ocupação urbana da Feira de Santana e sobre a necessidade do planejamento.
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