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André Pomponet
quinta-feira, 26 de março de 2026 / Publicado em Colunistas, Destaques

Radiografia do mercado de trabalho feirense

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Os anos de recessão, baixo crescimento econômico e precarização das relações trabalhistas deixaram cicatrizes no mercado de trabalho no Brasil. Aqui na Feira de Santana, como é óbvio, não foi diferente. Os dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) oferecem uma panorama da situação, sinalizando para as fragilidades e desafios que estão postos para a Princesa do Sertão.

Aqui, muita gente se vira por conta própria para assegurar o pão de cada dia: segundo o censo, são 75,4 mil trabalhadores, o que corresponde a 28,25% da força de trabalho. Quem se vira nessa realidade tem baixo índice de formalização: só 15,5 mil – ou 20,6% do total – dispõem de CNPJ. Os demais, 59,9 mil pessoas, atuam sem este amparo formal.

O trabalho doméstico na Feira de Santana também é bem precário, conforme nos informa o Censo 2022. Naquele ano, havia 11 mil pessoas na função, ou 4,15% da força de trabalho. Só 19,5% tinha carteira assinada, – 2,1 mil – enquanto 8,9 mil, ou 80,4%, atuavam sem registro formal. Atividade tipicamente exercida por mulheres, o trabalho doméstico soma-se a quem labuta na informalidade no circuito da precariedade.

A maior parte dos trabalhadores feirenses atua no setor privado: 139,1 mil, ou 52% da mão de obra total. Neste segmento, a informalidade também é alta: somente 100 mil têm carteira de trabalho assinada, como revela o Censo 2022. Os demais, 39,1 mil, atuavam sem o reconhecimento dos seus direitos.

Além da prefeitura, a Feira de Santana abriga uma série de órgãos públicos vinculados às esferas estadual e federal. No total, há 25,5 mil servidores públicos na Princesa do Sertão. A esta contingente somam-se os militares (3,6 mil) e o funcionários de empresas públicas (1,3 mil). No total, pouco mais de 30 mil trabalhadores apresentam vínculos com órgãos ou empresas públicas.

Figurando na elite das funções produtivas estão os empregadores. Estes somam 8,9 mil pessoas ou 3,35% do universo pesquisado. No grupo figuram desde empresários de fato – com dezenas ou centenas de funcionários – até microempreendedores, com apenas um colaborador. São bastante formalizados: 7,9 mil (88,7%) dispõem de CNPJ.

Por fim, o Censo 2022 detectou que 1.920 pessoas vivem na precaríssima condição de prestadores de serviços a parentes ou moradores, sem receber nenhum tipo de remuneração. Embora integrados à labuta, não desfrutam sequer do direito ao salário. Estão entre os mais frágeis no precarizado ambiente de trabalho brasileiro.

Naquele 2022, a renda domiciliar per capita mensal alcançava R$ 1.209, segundo o levantamento. Desde então, é provável que alguma melhora no cenário tenha sido registrada, por conta do crescimento econômico e da redução nos índices de desemprego. Mas a precariedade é um flagelo que permanece aí, graças à reforma trabalhista de Michel Temer, o “mandatário de Tietê”.

Não é à toa que a revogação da jornada 6×1 conta com tanto apoio da sociedade.

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André Pomponet
André Pomponet
Economista pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2002), mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (2012), exerce o jornalismo desde 1995, quando ingressou no extinto jornal Feira Hoje. Posteriormente, atuou em outros órgãos de comunicação e foi Chefe de Redação da Assessoria de Comunicação Social da Câmara Municipal de Feira de Santana.É colunista do Blog da Feira.
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