Imagine Feira de Santana em 1926: cerca de 80 mil habitantes, apenas 12% desses morando na sede, com enormes disparidades sociais e econômicas, e um palacete público na paisagem praticamente rural que tinha a cidade. Impactante, não? Mas o que queria a elite de Feira, que o aprovou sem maiores críticas, era que a cidade fosse vista como “progressista e moderna” e nada melhor do que um prédio luxuoso, e caro, para fixar essa imagem idealizada.
Quantos Reais seriam hoje os 400 contos de réis que diz a história oficial ter sido o valor da construção? Nas conversões, ele chega a cerca de 5 milhões de reais, mas levando-se em conta os salários dos operários e preços de materiais , hoje essa construção não se faria por menos de 15 milhões de reais. Era muito dinheiro para a época e para uma cidade com tantas carências.
O Paço Municipal da Feira é um exemplo arquitetônico do coronelismo do interior da Bahia na época. A construção durou cinco anos: começou a ser construído pelo intendente Bernardino Bahia e foi concluído pelo genro, intendente Arnold Silva.
Arnold foi genro duas vezes de Bernardino: casou com Amanda e, ao enviuvar, com Berenizia de Barros Bahia. Únicas filhas do Coronel. Como dono do Folha do Norte, Arnold influenciava a opinião pública e foi quem criou a narrativa do “progresso” com a construção da obra luxuosa.
Não havia Ministério Público e era o coronelismo que imperava. As críticas da oposição não ecoaram e a população, mesmo com outras prioridades, não teve opção senão aplaudir a ostentação.
Foi no mandato tampão (1971-72), do prefeito Newton Falcão que houve a primeira restauração do Paço Municipal de Feira. A Prefeitura contratou o então jovem artista plástico Vivaldo Lima que refez adereços e figuras desenhadas no teto e nas paredes, principalmente do Salão Nobre. Em 2007, num movimento liderado pelo secretário Carlos Brito, houve a última restauração.


