De forma acessível e transparente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, vem divulgando uma série de informações fundamentais para se conhecer – e entender – o lugar em que se vive. Os números, referentes ao Censo 2022, estão disponíveis não apenas para satisfazer curiosidades, mas, sobretudo, para orientar a formulação de políticas públicas, algo que, a propósito, ainda não se tornou corriqueiro no Brasil, sobretudo nas gestões em nível municipal.
A Feira de Santana, por exemplo, possui uma série de singularidades. Capitaneia uma região metropolitana, mas não se encaixa no arquétipo das grandes metrópoles – quase sempre capitais – nas quais se acotovelam milhões de brasileiros, disputando espaços exíguos. Aqui, a quantidade de habitantes por quilômetro quadrado alcança 472,45, número bem mais confortável que em São Paulo (1.521) e Salvador (3.486).
Alguns bairros da Feira de Santana, porém, apresentam números espantosos, sobretudo em antigas comunidades localizadas no interior do Anel de Contorno. É o caso da Rua Nova, com seu 0,68 quilômetro quadrado de extensão, 12.197 habitantes e impressionantes 17.999,92 moradores por quilômetro quadrado. Praticamente 18 mil, portanto.
Vizinho à Rua Nova localiza-se o Calumbi. São tão próximos que, para quem não os conhece, constituem um bairro só. Pois o Calumbi, com seu 1,59 quilômetro quadrado de extensão e população de 20.679 pessoas, alcança 12.986,56 habitantes por quilômetro quadrado. A densidade é menor, mas, mesmo assim, impressiona.
Com densidade superior à do Calumbi existe a Chácara São Cosme, outro bairro antigo da Princesa do Sertão. O território é minúsculo – 0,23 quilômetro quadrado – a população soma 2.961 pessoas e a densidade é um pouco maior que a do Calumbi, com 13.065,09 moradores.
O Jardim Cruzeiro é contíguo à Rua Nova e também conta com elevada densidade demográfica para os padrões feirenses. São 8.816,82 habitantes por quilômetro quadrado, superando bairros populares como a Queimadinha, com 6.890,53 moradores por quilômetro quadrado e as Baraúnas, com 4.831,05.
É bom lembrar que, nestes dois bairros, existem corpos d’água, obviamente inabitados. A população local espreme-se em ruas estreias e povoadas, como pode atestar quem conhece as duas comunidades. Considerando somente as áreas habitáveis, a densidade populacional deve ser maior.
Basicamente, os bairros mais densamente povoados da Feira de Santana são antigas ocupações que, ao longo de décadas, passaram a contar com infraestrutura e serviços públicos. Inicialmente à margem do núcleo originário do município, efetivaram-se ao perímetro urbano, à medida que a cidade se expandia.
Em suma, os números do Censo 2022 do IBGE trazem um rico acervo para planejar o futuro das cidades com técnica e precisão. Informação é o que não falta.
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