img_20161116_132415Libânio de Morais  viveu em Feira de Santana pelo século 19 e dizem os historiadores que era parceiro e amigo de um poeta que dá nome à rua mais badalada do comércio do centro da cidade, a  Francisco de Sales Barbosa que se tornou o famoso “Calçadão da Sales Barbosa’.

São ruas do ‘centro histórico’, se por aqui tivéssemos esse zelo de chamar assim a essa área central da Feira.  É o trecho onde está o antigo Mercado Municipal, hoje Mercado de Arte Popular e a sede da Procuradoria Geral do Município.

Temos um mercado cheio de arte e cercado de poetas por todos os lados: a entrada leste do MAP fica na Libânio de Morais e a oeste na Sales Barbosa.

Sales Barbosa também ficou mais conhecido que Libânio. O Sales estudou Direito no Recife, foi abolicionista e morreu jovem aos 27 anos em Salvador. Há poucos dias, uma escritora fez um sarau noturno no MAP para apresentar uma dissertação de mestrado sobre o ‘poeta romântico’. (clique aqui).

Na rua Sales está ‘o grosso das confecções’, pelo Calçadão circulam milhares de pessoas dos mais variados lugares da Bahia principalmente. É uma linha reta com barracas e lojas que escapole na praça Froes da Mota.  Há quem ache feio esse comércio. O poeta Sales Barbosa também era fisicamente considerado feio, tão feio, que chegou a ganhar um ‘concurso’  de um jornal da época…

Na Libânio está a feirinha das frutas e das verduras, um comércio que emenda com a praça Bernardino Bahia e lambe a  Senhor dos Passos e adjacências.

Estamos no centro vivo da cidade. Um movimento e uma informalidade de feira que incomoda alguns que também trabalham no centro da cidade. A ponto de abandonarem o local.

Primeiro foram os procuradores do Município. Há mais de 5 anos resolveram  sair do prédio próprio da Procuradoria onde iniciou-se uma reforma que só agora parece estar no fim. Há portas de vidro, as grades foram colocadas e  pintou-se de verde as  janelas. É um prédio moderno. A poucos metros está a antiga construção que abriga hoje o Arquivo Municipal.

Depois foram os servidores federais do INSS que também abandonaram o edifício que começou a história do  crescimento vertical de Feira e que valorizou o centro da cidade.

A escritora Cíntia Portugal, a da ‘dissertação no MAP’,  sugeriu na ocasião  que nesse prédio vazio do INSS  seja instalada uma Casa de Cultura ‘Sales Barbosa’. (clique aqui)É uma boa ideia a da escritora para um prédio público federal.

Mas o que fazer com o municipal caso os procuradores resolvam não se misturar aos feirantes do centro?