O normal é que as praças do centro da cidade mereçam atenção especial da Prefeitura de um município.

Em Feira de Santana é diferente. E dou apenas o exemplo da praça Bernardino Bahia ou do Lambe Lambe, que é bem representativo de como nossa cidade é pensada.

Essa praça é, sem dúvida, a de maior circulação de pessoas no centro comercial de Feira de Santana.

É de localização estratégica: interliga a avenida Senhor dos Passos com a Sales Barbosa, dois dos mais tradicionais corredores viários do grande comércio varejista da Feira.

Bernardino foi um coronel da Guarda Nacional, intendente e além do nome ao logradouro é homenageado com um busto em bronze.

A última tentativa de revitalizar a praça e ajardiná-la foi há mais de uma dezena de anos. Na ‘reforma’, o governo retirou a placa do pedestal do busto e colocou uma nova onde o nome do prefeito se sobressai mais que o do próprio Bernardino. Está lá ainda.

As barracas dos ‘fotógrafos lambe-lambe’ deram o ‘apelido’ que o povo usa para identificar a praça. A barraca de meu amigo Zé Alves é a terceira do lado esquerdo de quem chega pela parada de ônibus na calçada. Trabalhei junto com ele e o lendário jornalista Wilson Mário, incansável fundador de jornais e publicações jornalísticas.

Além do busto, o acervo fixo do logradouro tem uma obra arquitetônica tombada pelo patrimônio histórico do estado, um coreto imperial que se impõe no meio da praça.

Por trás do coreto duas imponentes árvores, paralelas, sombreiam uma área onde eralmente há pessoas sentadas ouvindo algum pregador cristão recitar salmos ou ‘falar em línguas’.

Afora as duas ‘falsas seringueiras’ e uma palmeira que restou, o resto dos espaços dos canteiros que circundam a praça está completamente vazio, chão limpo sem gramas ou qualquer sinal de ajardinamento.

Porque não se cuida de um jardim na praça mais utilizada pelo povo? Desconfio que seja exatamente porque é do povo e para o povo que ela existe. Ou que esperam primeiro a ‘requalificação do centro’, o ‘pacto do centro’ como se uma coisa excluisse a outra…mas exclui, o planejamento de Feira é excludente…

O assunto não se esgota aqui. Voltarei a ele.