Qualquer intervenção no Terminal Rodoviário de Feira de Santana deve priorizar a integridade e a visibilidade do painel de Lênio Braga, deve tornar o edifício, erguido na década de 60 do século passado, em um museu vivo, onde a obra de Lênio deixe de ser “paisagem esquecida” para se tornar orgulho da cidade. Um museu vivo. O passageiro, ao aguardar seu ônibus, deve se sentir em uma galeria de arte. Mas para que o público valorize a obra, ela precisa ser vista. É preciso que haja destaque visual. A obra de Lenio não é apenas um revestimento; é um épico visual da identidade sertaneja, de suas lendas e de sua fauna.
Propomos que a reforma do Terminal Rodoviário, anunciada como ante-projeto pelo Governo da Bahia não seja apenas funcional, mas curatorial, baseada em Restauro Técnico dessa obra, seguindo normas internacionais de conservação; uma Arquitetura de Visibilidade, com criação de uma “zona de respiro” (recuo de mobiliário e quiosques) e a instalação de iluminação cênica.
Transformar o terminal em um espaço educativo com totens informativos e uso de tecnologia (QR Codes) para narrar a história da obra aos passageiros. Levar as escolas e seus estudantes e criar um sentimento guardião nos operários e pessoas que atuam diariamente no Terminal.
Não poderá ser uma obra fria da engenharia, encontrando soluções técnicas para .a acomodação de ônibus modernos em suas plataformas antiquadas, com mobilidade obsoleta e confortabilidade ainda nos moldes do século passado. A engenharia pode quase tudo e se for carregada com sensibilidade e percepção histórica traz sempre aos lugares e às pessoas uma enorme sensação de auto-estima e segurança.

