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André Pomponet
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026 / Publicado em Colunistas, Destaques

O tsunami mercantil chinês na Feira (1)

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Carregadores, cabos, fones de ouvido, capas, películas, suportes, caixas de som, fones bluetooth, cartões de memória, HDs externos, mouses, teclados, caixas de som USB. Tudo está ao alcance da mão, disponível nos balcões envidraçados que, simetricamente, ajustam-se aos boxes minúsculos e iluminados com profusão.

Também é possível encontrar confecções: camisas e camisetas, calças, saias, vestidos, blusas, meias, bonés e as disputadas camisetas de times de futebol. Centenas de boxes apertam-se em dezenas de corredores estreitos que dão a quem os percorre a sensação de mergulhar num labirinto. Nele há conversas, gritos, pregões e música estridente, um vertiginoso ir-e-vir que desorienta.

A variedade de rostos e tons de pele emprestam ao ambiente um ar assemelhado ao destes enclaves que reúnem gente de diversas partes. Movem-se pelos corredores e detrás dos balcões, numa frenética ânsia mercantil. Pretos, brancos, pardos, amarelos, altos, baixos, magros, gordos, jovens, adultos e idosos misturam-se, comprando, vendendo, circulando.

O mercadejar extrapola boxes e corredores, irradia-se para além do quarteirão que abriga aquele frenesi. Nas vias limítrofes vicejam lojas, dezenas de lojas que oferecem uma amplitude de mercadorias ainda maior: os mesmos eletrônicos, utilidades domésticas, brinquedos e artigos infantis, produtos de limpeza e organização, além de itens de beleza.

Densos de prateleiras e produtos, estes estabelecimentos anunciam-se com chamativos painéis multicoloridos. A baixa padronização visual, o fluxo incessante, a sufocante exposição de mercadorias, o infindável vaivém de clientes, tudo contribui para uma sensação de confusão, de caos até. Ali, todavia, impõe-se a lei do produto barato, a ordem do crédito e das parcelas, a lógica varejista que concilia também com o atacado.

Mas, se o caos é aparente no mercadejar, ele é literal no trânsito. Apinhados, os estacionamentos do entorno ofertam centenas de vagas que, raramente, estão desocupadas. O ir-e-vir de veículos, então, é assustador. Atravancados, os fluxos se retardam, produzindo gritos, imprecações, buzinas escandalosas. No meio de tudo, pedestres aventuram-se em calçadas estreitas, entre os carros, nas portas das lojas.

É difícil circular sob o calor do verão, árvores são miragens naquela selva de concreto, aço e vidro. A selva urbana, porém, permanece em expansão, placas e estruturas de concreto prometem novas construções, sinalizando crescimento, avanço em direção às artérias próximas.

Quem leu até aqui – presumo – já percebeu que trata-se de uma descrição pálida do Feiraguay, um dos mais eminentes símbolos da Feira de Santana nas últimas décadas. Mas vou parando por aqui: o Feiraguay exige muita palavra e algumas considerações, que ficam para o próximo texto.

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André Pomponet
André Pomponet
Economista pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2002), mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (2012), exerce o jornalismo desde 1995, quando ingressou no extinto jornal Feira Hoje. Posteriormente, atuou em outros órgãos de comunicação e foi Chefe de Redação da Assessoria de Comunicação Social da Câmara Municipal de Feira de Santana.É colunista do Blog da Feira.
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