As verdes colinas que circundam a Feira de Santana parecem as mesmas de sempre. Até estão mais verdes, por conta das chuvas recentes que caíram sobre a cidade. Diferente mesmo só o céu, encoberto e acinzentado nos últimos dias, sem o azul habitual. Mas, às vezes, é comum nesta época do ano, em que as águas de março fecham – até afogam – o verão. Até a aflição das andorinhas, que percebem o verão agonizando sob a chuva fina, é típica da época.
Nas rodovias que circundam a Feira de Santana o ir-e-vir é rotineiro – monótono até – com automóveis avançando em cadência, carretas deslizando com estrépito, motociclistas buzinando sem cessar, ciclistas concentrados nos pedais, gente impaciente aguardando nos pontos.
Na cidade as procissões acorrem ao centro para o comércio, escolas, faculdades, clínicas, hospitais, repartições públicas. A pressa e a afobação também são corriqueiras, sempre há gente se atrasando para seus compromissos o tempo inteiro. Que dizer, então? Tudo, na Princesa do Sertão, aparenta normalidade.
A normalidade, porém, se fragmenta, em mil estilhaços, quando se busca o noticiário nas telas dos celulares. Há mudanças em curso – trágicas – acontecendo pelo mundo. A maior delas é um novo ciclo de guerras e conflitos deflagrados a partir da ascensão de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. No final de semana, mais uma vez, o Irã tornou-se epicentro de nova conflagração.
“Estamos distantes do Irã, isso nunca vai chegar aqui!”, dirá alguém, com irrefletido otimismo. Antigamente filtros e aparências refreavam um pouco o afã imperialista. Era o tempo dos organismos multilaterais, legados depois de catastróficas guerras mundiais, que mediavam – e até evitavam – conflitos. Esse tempo acabou, como Trump demonstra. A Venezuela, aqui pertinho, é um bom exemplo.
Sim, há uma aparente normalidade por aí, a rotina atesta. Mas a barbárie que o noticiário entorna empesteia a atmosfera, seja no mercantil centro feirense, nos bairros residenciais afastados e silenciosos ou no campo que verdeja e onde as sementes de milho e feijão já são lançadas. Entre os mais lúcidos, as guerras sempre despertam a sensação de que, invariavelmente, a humanidade é a derrotada quando elas afloram.
Mesmo quando as chuvas que fecham o verão amaciam a terra e prometem festas juninas fartas mais à frente.
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