Durante muito tempo o Centro de Abastecimento foi um dos pilares do dinamismo comercial no centro da Feira de Santana. O movimentado entreposto atraía muita gente da zona rural e dos municípios próximos, que não deixavam de visitar becos, ruas e avenidas do agitado comércio da Princesa do Sertão. Sobretudo às segundas-feiras e aos sábados, o centro feirense ganhava vida, com gente que chegava de diversos destinos.
Neste século XXI, abandonado, o Centro de Abastecimento entrou em decadência e perdeu frequentadores; o comércio de bairro se fortaleceu e empreendimentos comerciais, como shoppings, conquistaram a clientela que, antigamente, tinha como opção exclusiva o centro da Princesa do Sertão. A expansão imobiliária, por sua vez, levou milhares a migrar para fora do Anel de Contorno, distantes do centro.
A soma destes fenômenos deixou o centro da Feira de Santana mais vazio. É muito comum ver as placas de “Aluga-se” e “Vende-se” desbotando-se, imóveis comerciais deteriorando-se e artérias vazias de passantes durante boa parte do dia. Dificuldades de deslocamento – congestionamentos, transporte coletivo precário – somam-se ao rol das mazelas.
Porém, o anúncio do prefeito José Ronaldo de Carvalho (UB), de que pretende desapropriar imóveis no entorno da prefeitura para instalar, ali, o Centro Administrativo do município, traz esperanças de revitalização para a região. Anunciou-se ampla desapropriação, que alcança as avenidas Getúlio Vargas e Senhor dos Passos e a rua J.J. Seabra. Note-se, todavia, que não foram estabelecidos prazos.
A Feira de Santana cresceu muito nas últimas décadas e a gestão administrativa não acompanhou essa expansão. Dispersos por inúmeros imóveis, os órgãos da prefeitura funcionam de maneira atomizada. A aproximação física é fundamental, com potencial de gerar sinergia administrativa e, sobretudo, oferecer aos cidadãos serviços de maneira racional e organizada, sobretudo àqueles que não tem intimidade com o universo digital.
Os impactos diretos e indiretos sobre o movimento no centro da cidade também são óbvios. Para lá afluirão os funcionários públicos e a população em busca de serviços; como desdobramento natural, vai se constituir e fortalecer uma teia de prestação de serviços secundários para esses públicos, produzindo externalidades positivas para o centro da Feira de Santana.
A iniciativa soma-se às reformas realizadas no projeto Novo Centro, que substituiu pisos, alargou calçadas, melhorou a iluminação e ofereceu condições para a humanização do centro da Princesa do Sertão. Faltaram iniciativas complementares, como trazer a prefeitura, de fato, para o coração comercial da Feira de Santana, por exemplo.
É bom lembrar que, no centro da Feira de Santana, residem hoje apenas 6.658 pessoas, distribuídas por 4.215 domicílios recenseados. Esta população é pouco superior a 1% da quantidade de feirenses contabilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo 2022.
Quando se concretizar, a implantação do Centro Administrativo vai figurar entre as mais importantes realizações da atual gestão municipal.
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