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André Pomponet
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026 / Publicado em Colunistas, Destaques

O quiproquó bancário e seus desdobramentos

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No que é que vai dar o monumental quiproquó bancário que assola o Brasil desde meados do ano passado? Ninguém arrisca uma resposta incisiva. Primeiro, porque ninguém, até aqui, é capaz de dimensionar a amplitude do estrago; segundo porque, ao que parece, muita gente graúda está envolvida na fraude que – a cogitação é do ministro da Fazenda, Fernando Haddad – pode ser a maior já registrada na História do Brasil. Muita coisa já veio à tona, mas, pelo jeito, muito ainda está por vir.

Há, também, um terceiro complicador: no Brasil esgarçado por uma nociva dicotomia, as legiões que se engalfinham – governo e oposição – tentam grudar o rótulo da corrupção nos adversários. Parece que ninguém está muito interessado em apuração, nem em punição, menos ainda nas lições que o episódio dantesco oferece.

O mercado bancário não é similar ao de batatas, parafusos ou iphones. Seu produto – o dinheiro – é responsável por fazer circular todos os demais produtos; a confiança no papel-moeda – não o papel-moeda em si – é o sustentáculo do sistema financeiro; dúvidas ou desconfiança de insolvência sobre instituições bancárias são muito mais perturbadoras que falências em indústrias ou empreendimentos agrícolas, por exemplo. Afinal, uma quebradeira bancária contamina e paralisa toda a economia.

A natureza do sistema bancário explica a apreensão após a eclosão do escândalo envolvendo o Banco Master. Em parte, esta apreensão se deve ao desassombro com o que escândalo foi lapidado; se deve, também, à constatação que ajustes no sistema regulatório são imprescindíveis. Senão, nada garante que novas fraudes não eclodam mais à frente, causando estragos potencialmente sistêmicos.

Ignorantes e irresponsáveis são incapazes de dimensionar o alcance de uma crise bancária sistêmica, capaz de conduzir sociedades à beira da barbárie. Não falta literatura sobre o tema, de elevada qualidade: autor que se dedicou durante décadas ao estudo da moeda – o papel-moeda – John Kenneth Galbraith esmiuçou fraudes bancárias e o processo de criação de dinheiro. Muitas experiências conduziram a desdobramentos catastróficos. Ele é apenas um dos autores que trataram do tema.

Não diria que o Brasil se aproxima de uma débacle, como diriam os franceses. Mas o episódio do Banco Master é um didático e contundente alerta. Note-se, desde já, que as apurações apenas começaram, cercadas de muita polêmica e de questionáveis decisões judiciais. Imagina-se que as investigações podem produzir efeitos, inclusive, sobre o cenário eleitoral.

O fato é que, no Brasil cujas instituições gradualmente se fragilizam, essa fragilidade se aproximou perigosamente do sistema bancário. Deveria ser redundante dizer que o episódio tem que ser investigado, e os responsáveis, punidos. Mas isto aqui é Brasil. Pode ser que, inclusive, o episódio não dê em nada.

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André Pomponet
André Pomponet
Economista pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2002), mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (2012), exerce o jornalismo desde 1995, quando ingressou no extinto jornal Feira Hoje. Posteriormente, atuou em outros órgãos de comunicação e foi Chefe de Redação da Assessoria de Comunicação Social da Câmara Municipal de Feira de Santana.É colunista do Blog da Feira.
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