A foto saiu sépia. Foi a luz opaca, o filtro, a câmera do telefone é ruim, você que não é bom fotógrafo…Não, não, é Maria que é sépia mesmo, Maria é foto antiga, sem identificação, autoria desconhecida, e passado esquecido. E eu que tentei especular sobre ela, que cretinice, enquanto ela procurava roupas socadas num carrinho de supermercado. Ora, ora me disse ela sem propriamente dizer, mas entendi o seu tateado, estranho sons me dizendo, me deixe, não perturbe, não sabe que eu sou Maria do Samba, você já me viu tantas segundas-feiras, você até me filmou…Sou Maria que só na vida, dança só, e se entra na roda é com a sutileza dos tímidos e o medo dos que moram nas ruas. E nem me olhou, procurando o que vestir depois de ter sambado no beco onde o Samba das segundas-feiras aguarda o fim da reforma da Praça do Tropeiro. Maria é tímida, mas sorriu quando lhe pedi a a foto, que saiu sépia.
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