Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o distrito Maria Quitéria possui população de, exatas, 15.961 pessoas. Contrariando a lógica de esvaziamento das comunidades rurais observada no Brasil nas últimas décadas, o distrito ganhou população em relação a 2010, quando foram contabilizados cerca de 13 mil moradores.
A pirâmide etária da comunidade também contraria a lógica do envelhecimento comum em espaços rurais brasileiros. A faixa etária mais populosa – entre homens e mulheres – está entre os 30 e os 50 anos. Pessoas com mais de 70 anos representam apenas cerca de 3% da comunidade. Por outro lado, cerca de 12% dos habitantes tem idade até 14 anos.
A maioria da população do distrito Maria Quitéria ainda reside em domicílios rurais (61%), mas a comunidade vem se urbanizando, como demonstra a crescente população residente em domicílios urbanos (39%). Estes irradiaram-se a partir da praça que abriga a Igreja de São José, estendendo-se por ruas estreitas e algumas vias compridas, que conduzem aos espaços rurais.
O distrito não se limita à comunidade originária de São José, abrigando também povoados como Ovo da Ema, Venda Nova, Boqueirão e Pé de Serra. No conjunto do distrito existem 121,09 pessoas por quilômetro quadrado. Neles, prevalecem chácaras e sítios, que preservam o aspecto rural tradicional.
O que explica esses números, que colocam São José – antigo nome do distrito – destoante das comunidades rurais espalhadas Brasil afora? Segundo moradores, o intenso processo de urbanização da comunidade, com a disseminação de loteamentos que atraem moradores de outras localidades.
Quem circula pelo território de Maria Quitéria – sobretudo mais ao norte, em direção ao Ovo da Ema – percebe que, lá, ainda são comuns os típicos corredores rurais, que abrigam propriedades características do minifúndio e da agricultura familiar. Perto da sede do distrito, porém, o cenário é mais urbano e, até mesmo, periférico.
O boom imobiliário na região acarreta problemas que não passam despercebidos pela população. Um deles é o aumento da insegurança; outro é a qualidade na oferta de serviços públicos, como a água encanada. Falta d’água – que limita até o funcionamento das escolas – é problema comum, corriqueiramente relatado.
Mais algumas informações sobre a comunidade: lá residem 7,9 mil pardos e 7,7 mil pretos, além de apenas 725 brancos, o que atesta a origem quilombola de parte da comunidade. As mulheres são maioria (8,1 mil) em relação aos homens (7,7 mil). Por fim, registra-se que 10,2 mil pessoas (83,44%) são alfabetizadas, percentual bem abaixo da média da Feira de Santana.
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