Feira de Santana acaba de ganhar mais um monumento ao cinismo nacional. A tradicional Arena Cajueiro, nome que ainda remetia a parte da memória afetiva da cidade, virou Superbet Arena. Trocou um nome enraizado na história local pelo logotipo de uma casa de apostas. É a metáfora perfeita do Brasil de 2026: a praça esportiva vendida ao cassino.
A indústria do bet aprendeu o truque. Compra estádios, paga camisas, abraça o futebol e se traveste de patrocinadora do esporte legítimo. O esporte, esse sim, é prática saudável. Apostar não é. Mas vestir o lobo com a fantasia do cordeiro virou o modelo de negócio mais rentável do país, e ninguém parece incomodado, nem mesmo a barulhenta bancada evangélica, sempre tão pronta para legislar sobre o corpo, o filme, a festa e a bebida do próximo, mas afônica diante do vício que tem destruído famílias, drenado salários, alimentado o superendividamento recorde do brasileiro e empurrado gente para o suicídio.
Enquanto isso, dirigentes falam em parceria estratégica, prefeitos sorriem para fotos e a praça pública vira outdoor de empresa que lucra com a ruína silenciosa de milhões. Bem vindos à nova hecatombe de saúde pública, agora com placa luminosa, naming rights e a santa bênção da omissão.
Pajeú da Candeia Grossa é a voz inquieta de uma cidade que prefere o silêncio conveniente.



