Com cerca de quatro quilômetros, estendendo-se da Rua Tupinambás à Rua Itatiaia, a Avenida Iguatemi corta o coração do bairro Mangabeira, uma das regiões de maior adensamento populacional de Feira de Santana.
Nas últimas duas décadas, a Mangabeira deixou de ser uma periferia pacata para se transformar em um gigante demográfico, impulsionado por uma explosão de conjuntos habitacionais e residenciais populares do programa Minha Casa Minha Vida.
A densidade de moradores atraiu um comércio próprio forte, repleto de supermercados, farmácias e depósitos, transformando a Iguatemi em um polo vibrante que, paradoxalmente, carece do básico de mobilidade e infraestrutura.
Mas o desenho urbano da região funciona como um funil mal planejado. A ligação com a Avenida Sérgio Carneiro, feita pela Rua Itatiaia, onde um carro precisa esperar o outro passar, é o símbolo mais fiel do problema. A Itatiaia deveria ser a transição suave para uma das artérias mais importantes da zona leste, que rasga o bairro Santo Antônio dos Prazeres e dá acesso ao Aeroporto João Durval Carneiro. Em vez disso, opera como um gargalo estrangulado.
A solução vai além de meros paliativos. Exige a duplicação planejada da Avenida Iguatemi, o alargamento imediato da Rua Itatiaia para romper o estrangulamento do tráfego, drenagem profunda para preservar o pavimento e sinalização semafórica completa.
Esse pacote planejado para a Artêmia Pires é rigorosamente o que precisa ser feito na Avenida Iguatemi hoje, antes que o tempo passe.
Diferente da Artêmia, que se tornou um labirinto apertado e cercado por muros, a Iguatemi ainda possui trechos com recuos que viabilizam uma duplicação preventiva e planejada.
Esperar a Mangabeira engolir de vez as margens da via para só então desenhar uma duplicação custará dezenas de milhões a mais em desapropriações futuras de imóveis e comércios consolidados
Enquanto a Prefeitura de Feira não entender que duplicar e requalificar a Iguatemi preventivamente é infinitamente mais barato do que remediar um colapso anunciado, essa avenida seguirá provando que, em Feira de Santana, o direito à mobilidade urbana ainda depende do endereço de quem trafega.



