A Praça dos Sapateiros, cujo projeto de reforma está em curso na Prefeitura de Feira, não é tão antiga quanto o Paço que agora completa 100 anos e de onde ela está próxima. Mas tem uma grande simbologia na história dos homens e das cidades. É uma das mais antigas atividades humanas. Os primeiros sapatos surgiram nos anos 8000 a.c (antes de Cristo) e o profissional, em si, na Idade Média com o surgimento dos ofícios.
Em Feira, na década de 1950, eles eram tantos, para atender a uma freguesia que aumentava na mesma proporção que o comércio crescia, que conseguiram formar uma associação, a Sociedade União Beneficente dos Sapateiros de Feira de Santana. Pelo menos um dos fundadores e primeiros presidentes dessa Sociedade, entrou para a história política da cidade: o sapateiro Torquato Brito.

Torquato Brito era uma liderança. De esquerda, era filiado ao PCB. Com o golpe de 1964, ele foi listado como “subversivo”, perseguido, preso e torturado, como revelaram os trabalhos e depoimentos colhidos pela Comissão da Verdade na Bahia.
Os registros da Comissão da Verdade trazem à tona o clima de pânico institucionalizado em Feira de Santana, personificado na figura de um repressor conhecido como “Capelão” (um oficial/interrogador famoso pela brutalidade).
No Relatório Final da CEV-BA, consta o depoimento de Maria Natalice, filha de Torquato. Ela relatou à Comissão o impacto da tortura psicológica sofrida pelas famílias dos perseguidos.



