“Meu recado hoje vai para os colegas médicos ignorantes, analfabetos, desafetuosos e até desleais que existem na medicina da Bahia e, em especial, em Feira de Santana. Pelo amor de Deus: você opera um paciente, ele apresenta alguma alteração e busca atendimento em uma emergência do município — e os médicos não se dão ao trabalho de examinar, não tranquilizam, simplesmente viram a cara e dizem: ‘vá procurar o médico que lhe operou, ele é o responsável’. São uns imbecis, analfabetos, irresponsáveis, muitos que estão ali atendendo na medicina de urgência. É lastimável ver tanta gente com formação equivocada trabalhando e atendendo nas unidades de saúde“.
O inflamado desabafo do médico Tarcísio Pimenta, ex-deputado e ex-prefeito de Feira, feito no Instagram , toca num ponto ético da profissão : segundo o Código de Ética Médica do Conselho Federal de Medicina (CFM), o médico de plantão em uma unidade de urgência/emergência “tem a obrigação legal e ética de acolher, examinar e estabilizar qualquer paciente que busque o serviço, independentemente de o procedimento cirúrgico ter sido realizado por outro profissional ou em outra instituição.”
O ex-pref Ito não deu detalhes do ocorrido, nem o nome da unidade onde aconteceu o fato, mas pelo relato percebe-se que foi um paciente cirurgiado por ele.
Essa desatenção, frieza e o monetarismo exacerbado, é quase uma “marca” dessa profissao que em decorrência disso já foi até apelidada de “máfia de branco”.
As declarações de Tarcízio, não fosse o Conselho de Medicina corporativista como é, merecem uma investigação do Ministério Público, o que dificilmente acontecerá, pois a “máfia de branco” é poderosa, se auto-protege e, dificilmente, acontecem declaração indignadas como essas.

