Brigitte, a cachorrinha de vestido de chita, dormita sobre a almofada e dona Cleia ao lado toma conta do negócio. Quem entra pelo Beco do Moco é a primeira do lado direito. Da fachada desce um toldo com listras coloridas sobre o qual, tem tempos, cresce uma trepadeira daquelas de flores vermelhas. Cleia é uma senhora de cabelos brancos, olhar sereno, mãos e braços cheios de anéis e pulseiras, talvez a mais antiga moradora do Beco da Energia.
Tia Cláudia é outra das cinco moradoras estabelecidas, como Cleia, há décadas incontáveis, fazendo o beco ter vida. Foi na “casa de entretenimento” dela que nasceu o movimento cultural #obecoénosso idealizado e posto em prática pelo multiartista Márcio Punk, falecido no ano passado. A casa dela promove, agita, e por iniciativa dela o movimento continua.
Partiu dela a inclusão do Beco da Energia na Lei Aldir Blanc através de projetos dentro da vocação musical e plástica do #obecoénosso As paredes do Beco da Energia vão ser novamente grafitadas e eventos de rock e audio visuais utilizam o beco como point e cenário. Em consenso com as moradoras abriu o diálogo com a Prefeitura de Feira de Santana para discutir como o projeto Novo Centro vai tratar o Beco da Energia.
Agora Tia Cláudia está em batalha para homenagear o artista Márcio Punk com uma escultura a ser colocada, no alto, na esquina do beco, ou seja, à vista para quem entra pelo Beco do Mocó ou pela avenida Marechal. #obecoénosso

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