Quando a palavra foi dita, o volume do burburinho foi baixando, baixando, até que, em poucos segundos, a voz do prefeito se tornou o único som a ecoar na sala lotada. Ao lado, havia quem sorrisse, um riso de concordância e regozijo, mas o rosto da maioria estava sério, semblantes fechados, repentinamente marcados por rugas de surpresa ou apreensão, quem saberá? Quase ninguém se entreolhou; talvez pelo medo de que, ao cruzar olhares, algo soasse como acusação ou, pior ainda, como confissão. E o prefeito continuava falando. Dissecava o sentido da palavra, traçava o perfil, expunha as artimanhas e atestava a absoluta inutilidade que a figura do bajulador representa para a administração dele. “Não quero puxa-saco, quero gente que trabalhe!“, repetia e essa frase entremeava-se naquela palavra dura que martelava nos ouvidos, puxa-saco, puxa-saco. Eu lembrei imediatamente do forró de Jackson do Pandeiro:
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