No final de 2024, o Plano Diretor de Arborização Urbana de Feira de Santana entrou em vigor por uma decisão direta da Prefeitura, e não por meio de uma Lei Ordinária votada e aprovada pela Câmara de Vereadores. O então prefeito Colbert Filho enfrentava uma Câmara hostil. Publicar o PDAU via decreto foi a forma de dar uma resposta rápida às pressões do Ministério Público e de órgãos ambientais e evitar emendas parlamentares.
Esse “defeito de fábrica” além de impedir a ampliação do debate público sobre algo fundamental, fragilizou o Plano que pode ser revogado, sem depender da Câmara, pelo prefeito que estiver no cargo, sem satisfação ao Legislativo. O desconhecimento do plano por parte da população já contraria um dos objetivos dele próprio que é a conscientização coletiva da importância da arborização para o bem estar dos moradores. É uma questão, também, de saúde social.
O Plano projeta uma cidade sustentável, fresca e integrada à natureza, mas pouco se caminhou nesse sentido. A sensação que se tem é de que nada mudou, na prática. O que os cidadãos encontram ao caminhar pelas principais avenidas e bairros é um cenário de deserto urbano, marcado pela ausência de sombras e pelo descaso com o patrimônio verde. Há um abism entre o que diz o Decreto nº 13.663 e a realidade do Municipio.

Algumas ações, tímidas, foram feitas, baseadas no Plano, como a criação de um incipiente viveiro de mudas e um livreto intitulado “Arborização Urbana de Feira de Santana, BA: espécies mais utilizadas e suas características”.
No mais, o que se vê são as mesmas práticas predatórias não só do governo municipal mas de moradores. A poda radical e a derrubada de árvores de grande porte, promovidas em praças e ruas, sob os mais ridículos argumentos, ignora a diretriz de conforto térmico prevista no plano, condenando a cidade (e povoados rurais) a temperaturas cada vez mais escaldantes.

A cidade parece não acreditar na crise climática e na solução natural para esse problema: áreas verdes, arborização, mais árvores.



