Quem entrar no Campo do Gado, numa segunda-feira, vai perceber que o equipamento parece grande demais para o comércio de animais que está acontecendo. O local parece superdimensionado. Mas à época em que foi erguido essa feira ainda estava no centro das atenções econômicas e sociais da região. Com as mudanças na “cadeia produtiva do boi” ela foi diminuindo sua abrangência regional e perdendo importância.
Historicamente é parte integrante do núcleo de origem da povoação e da vocação de parte de sua gente. A ExpoFeira, por exemplo, é filha dela. O gado tangeu a fama e o crescimento da Feira de Santana por muito tempo.
Mas os ciclos se fecham. Na área desmembrada da fazenda de Mimiro Pinto para a construção do Complexo havia uma baraúna já velha, que foi preservada entre os currais onde ficam as reses. Ficou lá até morrer há alguns anos e hoje no seu lugar cresce uma nova. Símbolo de resistência.
A feira encolhe, estreita seu raio de atração (o preço do frete e outros tipos de negociação desestimulam compradores e vendedores). Na feira de cavalos, por exemplo, muitos animais chegam montados por seus donos ou vaqueiros.
Ha 40 anos, o Campo do Gado e o Matadouro estavam em uma zona praticamente rural. Hoje há conjuntos residenciais inclusive após o Complexo, na Estrada Velha de Jaguara
A estrutura física do Complexo Matadouro Campo do Gado não precisa de uma reforma para revitalizar o local. Precisa de um novo ciclo. Os mourões e as amarrações dos currais estão firmes e não há sinais graves de deterioração. No redondel e sua arquibancada , a pequena porção de equinos amarrados destaca o tamanho enorme da área vazia.
Nas áreas cobertas, para administração e comércio há selarias e restaurantes. Quase todos abrem apenas às segundas-feiras e muitos já não abrem mais. O lugar foi repintado há pouco tempo. A escultura do Vaqueiro Montado no Cavalo, do mesmo artista do Tropeiro e a Mula, na Praça do Tropeiro, está conservada assim como o chapéu de couro baiano que protegia do sol um orelhão. O Complexo precisa de uma reforma na maneira de encarar o potencial do equipamento, de criatividade e compromisso econômico e cultural.




