×
Blog da Feira
  • Cidade
  • Cultura
  • Colunistas
  • Política
  • Distritos
  • Quem somos
Blog da Feira
  • Cidade
  • Cultura
  • Colunistas
  • Política
  • Distritos
  • Quem somos
Avatar photo
André Pomponet
segunda-feira, 12 de dezembro de 2022 / Publicado em Colunistas, Home

O menino na varanda, a bola e a Copa do Mundo

Compartilhar:

  • Share on WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Share on Facebook(abre em nova janela) Facebook
  • Share on Bluesky(abre em nova janela) Bluesky
  • Share on X(abre em nova janela) 18+
  • Share on Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Share on LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn
  • Share on Threads(abre em nova janela) Threads
  • Mais
  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Email a link to a friend(abre em nova janela) E-mail
  • Share on Reddit(abre em nova janela) Reddit
  • Compartilhar no Tumblr(abre em nova janela) Tumblr
  • Share on Pinterest(abre em nova janela) Pinterest

O som abafado da bola de borracha batendo nas paredes da varanda acanhada conotava o entusiasmo com a Seleção Brasileira, com a Copa do Mundo. Foi bem ali na Rua Joaquim Laranjeiras, já perto do estádio Joia da Princesa, neste abafado dezembro feirense. Divago: não tenho certeza de que o entusiasmo com o futebol naquele espaço restrito tem a ver com a equipe canarinho. Mas tudo indica que sim: afinal, flagrei aquele bater febril na bola momentos antes de dois dos jogos da Seleção Brasileira. E só nesses momentos. Numa ocasião testemunhei até um diálogo:

-Que hora é o jogo do Brasil? – Indagou um garoto de uns cinco anos, na calçada oposta, do outro lado da rua.

-Quatro horas! – Respondeu, empolgado, o que batia na bola, que deve ter uns sete anos.

Imagino que o futebolista mirim – naquela varanda estreita, as paredes verdes – dava asas à imaginação enquanto batia na pelota, aguardando o jogo. Não estava ali, menino, naquele espaço restrito, chutando uma leve bola de borracha. Calculo que sua imaginação infantil levava-o aos grandes estádios do mundo, às partidas mais importantes, às decisões emocionantes, às jogadas mais geniais. Nelas, era o protagonista que assegurava a alegria de grandes torcidas, de imensas multidões.

Sei que o futebol desperta esses sentimentos mágicos, sobretudo em tempo de Copa do Mundo. Mundo afora, crianças dedicam-se com entusiasmo redobrado às suas pelejas que, mais à frente, vão se cristalizar em ternas recordações, embora somente alguns, pouquíssimos, realizarão o sonho do futebol profissional, da celebridade planetária. Mesmo assim, o futebol desperta inúmeras e intensas paixões e tudo começa na infância.

Nunca esqueci a Copa do Mundo de 1982. Tinha sete anos. No quintal de cimento de casa, em tardes inesquecíveis, via-me reproduzindo as grandes jogadas de Zico, Sócrates, Falcão e companhia. A magia durou enquanto a Seleção Brasileira sobreviveu na Copa. À frente vieram a Itália e Paolo Rossi – com seus três gols –, desmontando o sonho do tetra daquela geração de talento indiscutível. Na Rua da Palma prevaleceu uma desolação só. Os adultos não entendiam aquela desclassificação. Imaginem nós, as crianças.

Na sexta-feira, a Seleção Brasileira acabou eliminada. O silêncio pelas ruas feirenses foi eloquente. O silêncio e a desolação: pouca gente pela rua, nenhuma animação. Fiquei pensando no menino que chutava sua bola na varanda de casa. Terá chorado, ficou inconformado com o resultado? Provavelmente sim. Antes do jogo, o brilho infantil no olho sinalizava entusiasmo, empolgação com a Seleção. Não deve ter sido fácil aceitar a derrota.

Para quem é criança, mais à frente, a dor do fracasso vai se converter em experiência, as decepções esportivas se avolumam ao longo da vida. Mas o menino que todo mundo foi – entusiasmado com a Copa, com o clima festivo, com a empolgação dos adultos, sempre tão chatos! – ah, isso não vai se perder e sobreviverá como uma das grandes recordações da infância…

  • Sobre
  • Últimos Posts
André Pomponet
André Pomponet
Economista pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2002), mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (2012), exerce o jornalismo desde 1995, quando ingressou no extinto jornal Feira Hoje. Posteriormente, atuou em outros órgãos de comunicação e foi Chefe de Redação da Assessoria de Comunicação Social da Câmara Municipal de Feira de Santana.É colunista do Blog da Feira.
André Pomponet
Últimos posts por André Pomponet (exibir todos)
  • A primeira névoa no fim de abril - 05/05/2026
  • A realidade da Rocinha, maior favela feirense - 29/04/2026
  • Autodeclarados indígenas cresceu quase 600% em Feira - 27/04/2026

Compartilhar:

  • Share on WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Share on Facebook(abre em nova janela) Facebook
  • Share on Bluesky(abre em nova janela) Bluesky
  • Share on X(abre em nova janela) 18+
  • Share on Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Share on LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn
  • Share on Threads(abre em nova janela) Threads
  • Mais
  • Imprimir(abre em nova janela) Imprimir
  • Email a link to a friend(abre em nova janela) E-mail
  • Share on Reddit(abre em nova janela) Reddit
  • Compartilhar no Tumblr(abre em nova janela) Tumblr
  • Share on Pinterest(abre em nova janela) Pinterest

Relacionado

Privacy & Cookies: This site uses cookies. By continuing to use this website, you agree to their use.

To find out more, including how to control cookies, see here: Política de privacidade

Arquivos BF






Blog da Feira: Jornal de Notícias de Feira de Santana

© 2023 Janio Costa Rego Comunicações - Todos os direitos reservados
Política de Privacidade

TOP
Blog da Feira