O Bar de Zequinha estava no auge. As virtudes da picanha eram louvadas em Salvador, na Chapada Diamantina, na Bahia, quiçá Brasil. Brasa acesa na churrasqueira do velho Zeca! No segundo turno, a turma do marketing político de Imbassahy, que havia ganho a eleição de Salvador no primeiro turno, desceu pra Feira, “com armas e bagagens” para reforçar o time de Josué Melo, “o candidato de ACM”. Zequinha era o point daqueles jornalistas, marqueteiros, uma equipe que chegava vitoriosa e disposta a tudo para garantir mais outra.
Nós também frequentávamos o ponto. E lá por Zequinha, conversa vai conversa vem, soubemos de uma reportagem especial que estava sendo feita “pra lascar Zé Festinha!”. Algo que ia abalar a eleição. Feita a capricho. Ficamos na expectativa, sem saber exatamente o que era.
Quando chegou a noite (os programas inéditos iam ao ar durante a noite..) televisão ligada, assistimos tensos e atentos. A reportagem era realmente muito bem trabalhada. Apuração, imagens, a narrativa convincente e arrazoada levava telespectadores a deduções nada positivas acerca do candidato Zé Falcão.
Era a história da ocupação do campo de aviação liderada por George Américo, a repressão policial, as consequências, os responsáveis.
Tudo ia num encadeamento perfeito para levar o eleitor a fazer as deduções induzidas e conquistar votos, quando a matéria é encerrada com uma “entrevista misteriosa e sem rosto”, com som distorcido, acusando Zé Falcão pelo assassinato de George Américo,e reforçando, em seguida, com a imagem congelada da manchete do jornal Feira Hoje com o assassinato do líder dos sem-teto.
A sala toda em silêncio, atônita. Um clima de derrota. Ninguém lembra exatamente qual foi o termo, mas alguém pulou da cadeira e gritou algo parecido com “Perdeu, Mané!!!!”.
No programa seguinte de Zé Falcão, um irmão de George Américo já chorava na frente das câmeras com o nome do irmão “conspurcado” e as pessoas nas ruas assombradas com uma “acusação tão leviana” contra Falcão. Dias depois, Josué tentava explicar, que não foi o que queria dizer, que não era bem isso e aquilo outro, etc, etc…
Era tarde, o estrago estava feito.
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