Em Salvador fala-se, há anos, sobre a necessidade de revitalizar o comércio de rua na Baixa dos Sapateiros. Durante muito tempo a via foi o centro mercantil pulsante da capital. Para ele afluía toda a cidade, em busca dos produtos baratos expostos em bancas defronte às lojas. Destacava-se, então, entre outros, o segmento de confecções, com propagandas que se sucediam nas emissoras de tevê.
Aos poucos, no entanto, o comércio nos bairros foi se oxigenando, subtraindo o protagonismo da antiga Baixa dos Sapateiros. Liberdade, Calçada, Cidade Baixa e Itapuã foram consolidando um vibrante comércio de rua, que tornou dispensáveis os deslocamentos até o Centro Antigo de Salvador. Com a expansão da malha urbana, regiões ocupadas nas últimas décadas, como Cajazeiras, também ganharam pujantes núcleos comerciais.
O movimento não foi exclusivo de Salvador, verificando-se também – muito antes – em capitais como São Paulo ou o Rio de Janeiro. O fenômeno, porém, irradia-se e alcança cidades do interior, como a própria Feira de Santana. Quem observa a dinâmica comercial da Princesa do Sertão percebe.
No Tomba, a feira-livre que funciona nos finais de semana certamente ajudou a fecundar o intenso comércio do bairro. Dois fatores adicionais certamente contribuíram para impulsionar o processo: a população significativa dos bairros do entorno e a distância do centro da cidade, que desincentiva demorados e onerosos deslocamentos. Some-se a isso a tradicional precariedade do transporte público.
Fruto de processo semelhante é o comércio do bairro Cidade Nova. Por lá também há uma feira-livre tradicional e, no entorno, aos poucos, foram surgindo estabelecimentos comerciais diversos que, em grande medida, suprem a demanda da população da região. Note-se também que, nas cercanias, houve um boom imobiliário há pouco anos.
Mais recente, mas igualmente vistosa, é a expansão comercial no bairro SIM. Palco de uma intenso processo de ocupação habitacional e distante do centro, a região reunia, desde o começo, as condições necessárias para alavancar um polo comercial autônomo e diversificado. Foi o que aconteceu ao longo dos últimos anos. Por lá, o comércio fervilha.
Qual o efeito do fenômeno sobre o comércio de rua do centro da cidade? Um relativo esvaziamento, já que parte da população compra no próprio bairro, evitando deslocamentos. É algo que exige mensuração, mas que já é alvo de observações empíricas.
É claro que, no centro da Princesa do Sertão, concentra-se boa parte dos postos de trabalho do município e funciona uma ampla rede de serviços públicos e privados. Sem contar a afluência de visitantes de cidades vizinhas, o que sustenta o movimento do dia a dia.
Mas é bom notar que os elementos essenciais do fenômeno observado em outras cidades também já estão presentes na Feira de Santana. O que é natural, fruto incontornável da dinâmica urbana. O que fazer, então? É necessário pensar alternativas que, no médio prazo, convertam-se em um processo estruturado de planejamento urbano.
Antes que o centro da Feira de Santana se torne, mais à frente, uma nova Baixa dos Sapateiros…
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