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André Pomponet
quinta-feira, 23 de abril de 2026 / Publicado em Colunistas, Destaques, Distritos

Um pouco sobre Bonfim de Feira

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Bonfim de Feira é o distrito mais a oeste da Feira de Santana. Também é um dos mais distantes da sede do município: pouco mais de 30 quilômetros. Para chegar até lá é necessário deixar a cidade pela BR 116 Sul e, mais à frente, após a ponte sobre o Rio Jacuípe, seguir à direita pela Estrada do Feijão, a BA 052. Percorrendo mais alguns quilômetros, alcança-se o acesso mais à frente, num retorno sinalizado. Bonfim de Feira faz fronteira com Anguera, Serra Preta e Ipecaetá, municípios vizinhos.

Em Bonfim de Feira a herança cultural da pecuária parece ser mais acentuada que nos demais distritos feirenses. É que, por lá, muitas décadas atrás, havia criatório e fazendas de gado extensas, propriedades da antiga elite rural feirense. Lá também era caminho de boiadas e boiadeiros. A igreja imponente e o casario acanhado, ainda hoje de pé, testemunharam a época em que o distrito viveu o seu apogeu.

Inteiramente imerso na caatinga, Bonfim de Feira fica próximo de serras que se estendem em direção a Anguera, a Serra Preta e Ipirá, a Ipecaetá também. Lá estão, silenciosas e azuladas nos dias de estio, a Serra da Caboranga (570 metros de altitude), a Serra do Sebastião (435m), a Serra da Guariba (599m) e, mais distante, a Serra da Caboronga (589m), mais perto de Anguera.

Assim como na Matinha, a população de Bonfim da Feira é majoritariamente negra, de acordo com o Censo 2022 do IBGE: pardos (1.418) somam-se aos pretos (1.354), totalizando 2,7 mil afrodescendentes. Os brancos somam apenas 122 pessoas. Não há, por lá, indígenas ou amarelos.

O distrito soma só 2.895 pessoas, distribuídas por 85,5 quilômetros quadrados. A densidade populacional é muito baixa: só 33,8 habitantes por quilômetro quadrado. Boa parte das residências localiza-na na porção urbana do distrito: 1.910 ou cerca de 66%. Os 985 restantes distribuem-se pelos vastos espaços rurais.

As mulheres são maioria: há 1.520 delas e 1.375 homens. O analfabetismo permanece como um desafio: 1.668 pessoas são alfabetizadas, o que representa 75,2% dos moradores. Por outro lado, 549 pessoas – quase 25% dos maiores de 10 anos – não sabem ler e escrever.

A população de Bonfim de Feira envelhece: cerca de 12% dos residentes tem idade superior a 60 anos. Note-se que, nestas faixas etárias, a quantidade de mulheres é bem superior à de homens. Até os 14 anos de idade, também há cerca de 12% de crianças e adolescentes. Ou seja: para cada criança, há um idoso.

Na faixa etária dos 30 aos 49 anos também há cerca de 12% de homens e mulheres. Há, percentualmente, menos pessoas nas faixas inferiores de idade, entre os 19 e os 29 anos. O que explica o fenômeno? Talvez, neste segmento, tenha ocorrido a opção pela migração, em busca de melhores oportunidades de vida. É que ocorre em boa parte dos pequenos municípios e distritos brasileiros.

Registros apontam que Senhor do Bonfim – o nome antigo era Itacuruçá, que significa pedra da cruz – é anterior à própria Feira de Santana. Sua ocupação, certamente, remonta à expansão da pecuária pelo remoto interior do País. Hoje é denso de memórias sertanejas, plantadas pela frenética atividade bovina de séculos atrás.

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André Pomponet
André Pomponet
Economista pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2002), mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (2012), exerce o jornalismo desde 1995, quando ingressou no extinto jornal Feira Hoje. Posteriormente, atuou em outros órgãos de comunicação e foi Chefe de Redação da Assessoria de Comunicação Social da Câmara Municipal de Feira de Santana.É colunista do Blog da Feira.
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