A verdade é que eu não gostava de Salvador. Pra mim, era sinônimo de correria, engarrafamento, gente enfezada e preconceito contra quem é de Feira de Santana. Mas, de uns anos pra cá, as coisas foram mudando. A correria é dos outros, não minha; os governos petistas entregaram o metrô há muito prometido pelas administrações carlistas; cara feia pra mim é fome; e para os preconceituosos eu digo o seguinte: deitem na BR.
Comecei a saborear a cidade principalmente em duas frentes: praias e livrarias. Deixo as praias de lado e rascunho aqui algumas linhas sobre uma livraria soteropolitana. Até porque, para um amante dos livros, praia é importante, mas livrarias são mais. Se o fim do mundo chegar e as opções para passar as últimas horas forem uma praia ou uma livraria, obviamente escolherei a segunda.
A livraria em questão é a @midialouca que tem mais de 20 anos de existência, porém só a conheci há cerca de quatro ou cinco anos, quando minha má-vontade por Salvador foi passando.
Aconchegada no Rio Vermelho, a Mídia Louca é um oásis literário no bairro mais boêmio da capital baiana, e está muitíssimo bem localizada na rua Fonte do Boi.
Além de ter um acervo invejável de ficção, sociologia, política, história, psicologia, literatura feminista e literatura negra, a Mídia Louca tem um acervo selecionado (e numeroso) de literatura infantil, além de comercializar CDs e discos de vinil (é daí que vem seu nome, pois tudo começou com os CDs e os discos).
É um lugar tão bom de se ir que fiquei surpreso ao descobrir que não havia escrito até hoje sobre a Mídia Louca. Uma daquelas falhas que a gente não consegue explicar.
A quem mora em Salvador e a quem está de passagem, a Mídia Louca é um destino obrigatório. Eu tento ir sempre que estou na capital.
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