Aluízio Alves, ex-ministro e ex-governador do Rio Grande do Norte, defendia em viagens pelo Brasil (esteve inclusive aqui em Feira), o projeto da Transposição do São Francisco.O governador e senador baiano ACM combatia duramente a transposição. A imprensa baiana acendia os argumentos e acicatava a ousadia de Antônio Carlos Magalhães. “Ilegal, absurda e imoral”, ele atacava, de Brasília ou do Palácio de Ondina.
Mas isso, certamente, não tem nada a ver com Lula ir ao Rio Grande do Norte ao invés de vir a Bahia, como faz, há anos, na data simbólica do 2 de Julho baiano, apesar de, politicamente , ACM não ser apenas uma lembrança na Bahia, mas um Neto que quer voltar. Nada a ver… É apenas uma memória que vai levando a outra e uma ferramenta da agenda e cerimonial político de Lula. Lá está mais carente que cá.
Das quatro cidades, Major Sales, Luiz Gomes, José da Penha e Rafael Fernandes, mais próximas ao local onde está o túnel que Lula batizará a conclusão, duas delas foram emancipadas durante o governo de Aluízio, na década de 1960. Todas elas são atravessadas pela BR-405 que vem de Mossoró e vai até a Paraíba. Todos são nomes de políticos homens. Nome de mulher tem, que lembro agora para ilustrar, tem Nisia Floresta, a poetisa libertária,cidade lá no litoral que antigamente chamava-se Parati. Escolha.
Para aliviar o exagero dessa toponímia laudatória e populista, continuando na Rodovia, depois de Rafael, tem “Pau dos Ferros”! Que não é o nome da árvore, pau-ferro, como pode confundir, mas palavra composta que refere-se aos ferros-de-gado marcados no tronco de uma oiticica replantada na praça central da cidade mais próspera da região onde Lula aterrissa.
“Pau dos Ferros” não quebra somente a toponímia conservadora mas, seus eleitores, também deram um basta no machismo da política nessa rota sertaneja: Marianna Almeida é o nome da Prefeita, reeleita, que embora não esteja alinhada com a candidatura a governo do PT, certamente irá ao encontro do Presidente. Pau dos Ferros é polo. É como a Feira de Santana, milhares de pessoas de dezenas de cidades vizinhas vão aos sábados para a feira de PDF.
Marianna apoia o ex-prefeito de Mossoró (outro nome-raiz) chamado Alysson Bezerra, um que também quebrou paradigma, ao congelar a oligarquia política Rosado, na “cidade do sal”.
Alysson usa um chapéu -de-couro. Fez dele sua marca, com uma espontaneidade que atrai eleitores e assusta não só o PT, mas a direita antiga, que acasalou-se com o bolsonarismo, herdeira de Dinarte Mariz, do ‘Pacto da Fazenda Solidão ‘, de clãs no Oeste, Seridó e outras regiões da terra de Câmara Cascudo, Vicente Serejo, Marcos Porto e uma porção que tentar nomear é o mesmo que repetir a insanidade de AA que colocou nome de gente em lugar que o homenageado nem sequer conhecia direito.
O chapéu que Alysson usa é chamado bosta de gado, tem abas pequenas, urbanizou-se, é a cara do caboclo tapuia-potiguar que forma a alma do estado. Chapéu não ganha eleição mas aproxima candidato de eleitor. Lula é mais familiarizado com o chapéu baiano, que usa quase sempre que anda a Bahia com Jerônimo, esse, pode dizer, vaqueiro legítimo. Nem Aluízio, nem ACM, usava chapéu-de-couro assim.
A foto é de Reginaldo Pereira: na Universidade Estadual de Feira de Santana, o autor do texto com Aluízio Alves.




