E aconteceu de novo, ontem: quando passo o portão lembro da primeira vez entrando no Casarão, com Zé Coió e Reginaldo Pereira para entrevistar Eduardo Fróes da Mota que nos esperava no topo da escada. As palavras, os cumprimentos, o que atraiu minha atenção naquele momento já escaparam ao domínio da memória. Ontem não havia recepção, porta aberta, entrei sem pedir licença.
Estou no hall de entrada. Os vitrais. Doutor Eduardo nos mostrava, e explicava, imagino que revelando detalhes preciosos que a inexperiência malvada não captou. Onde ficava a “namoradeira”, que Doutor Eduardo nos apresentou com malícia de menino? Talvez nesta sala onde estão hoje a escrivaninha de Filinto Bastos e fotografias emolduradas dos Fróes da Mota: pai, Agostinho, mãe, Maximiniana, ele e a mulher, Maria Lambert. Na sala de música há um piano moderno e ainda os retratos de compositores clássicos frisando o alto da parede, na outra uma exposição metrificada de fotos antigas do centro de Feira.
O piso, o teto, tudo tão intacto na silenciosa guardiã de histórias. Há mais vida no Casarão hoje do que naquele dia da primeira visita, penso. Nisso um burburinho chega pela janela e desperta para a posse de Laila Beirão na Academia Feirense de Letras, já vai começar.
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