Dizem que o tema da segurança pública vai mobilizar a população nestas eleições de 2026. Tem gente na praça defendendo redução da maioridade penal, penas mais longas, mais prisões, mais policiais, mais viaturas, mais munição, mais vigilância, mais repressão, mais controle. É o pânico generalizado, o salve-se-quem-puder dos programas de tevê mundo-cão. O discurso da violência desenfreada, no Brasil, favorece muito segmentos específicos e prejudica boa parte da população.
É necessário, porém, diagnóstico e planejamento, o que só se viabiliza com estudos que se sustentam em evidências. Entender a realidade impõe o uso de conhecimento e a racionalidade, deixando-se de lado as paixões ideológicas. Por exemplo: mata-se muito no Brasil? Sim, sem dúvida. Mas já se matou muito mais. Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2016, 61,6 mil pessoas foram assassinadas no Brasil. Em 2024, o número caiu para 42,5 mil.
Quem está morrendo, hoje, no País? Além de pessoas que se enquadram no perfil tradicional – pretos, pardos, pobres, residentes em periferias e bolsões de pobreza – morrem muito mais mulheres vítimas de feminicídio. O número geral de mortes femininas até caiu no período, passando de 4,6 mil em 2016 para 3,6 mil em 2024. O número acompanha a tendência geral de redução de mortes.
Mas, por outro lado, os feminicídios estão crescendo paulatinamente desde 2016. Naquele ano, foram 929 casos. Em 2025 chegou-se ao recorde da série histórica: 1.568 casos. Quem mata essas mulheres? 80% são companheiros ou ex-companheiros; 66,3% dos assassinatos acontecem no próprio lar da vítima; 62,6% das mulheres mortas são negras. As informações foram compiladas pelo Fórum Brasileiro da Segurança Pública.
É necessário buscar explicações para o crescimento no número de mortes das mulheres. Com base nessas explicações, formular políticas que, efetivamente, garantam maior segurança àquelas mais vulneráveis. O desafio é grande, porque vai muito além da fórmula tradicional – e fácil – de se adquirir armamento para as polícias ou autorizar mulheres a andar armadas.
O recorte das mortes de mulheres – o feminicídio em particular – é apenas uma das dimensões do complexo tema da segurança pública, que não pode ser tratado na base dos clichês ou do histrionismo dos extremistas. Há muitas outras dimensões, mas esta envolve um tema emergente, fruto talvez do caldo de cultura misógina que entrou em ebulição recentemente.
Muita gente ganha com o discurso genérico da violência: extremistas políticos, indústria armamentista, empresas de segurança privada, apresentadores de tevê, mercadores da fé, os atacadistas do crime. A essa gente, como se sabe, não interessa um debate maduro e a busca por soluções sustentáveis.
Afinal, perderiam com o fim da histeria coletiva da insegurança que tanto os favo
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