Um conceito que está na moda nestes tempos de mudanças climáticas e desastres climáticos é o de cidades resilientes. O que são essas cidades? “São aquelas que conseguem resistir, se adaptar e se recuperar rapidamente de crises, como desastres naturais e mudanças climáticas”. É o que me ensina a Inteligência Artificial, numa breve consulta. Existe, no Brasil, uma iniciativa, “Construindo Cidades Resilientes 2030”, que é liderada pelo Escritório das Nações Unidas para Redução de Riscos, que promove a articulação de atores locais, como as prefeituras.
Cientistas indicam – há muitos anos – que o aquecimento global está se intensificando e, com ele, as mudanças climáticas. Para o segundo semestre está previsto um El Niño mais intenso do que aqueles dos anos anteriores. Imagine: se o biênio 2023/2024 já foi inclemente, com temperaturas elevadíssimas na Feira de Santana, o que virá logo depois deste inverno?
Infelizmente, na Princesa do Sertão, não se veem iniciativas articuladas para conviver com os desafios climáticos que estão se intensificando. Um deles, exaustivamente repisado aqui, é o do verde, da arborização. Os dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, são contundentes: 57,2% dos domicílios feirenses não contam com nenhuma árvore no entorno; cerca de 20% dispõem de até duas árvores; entre duas e três, 8,65%; mais do que cinco, 13,8%.
Quem circula pela cidade sabe que a cobertura vegetal, por aqui, é modestíssima. Também é bem modesta a oferta de rede de esgoto: bueiro ou boca de lobo estão disponíveis para apenas 30,9% dos domicílios, o que corresponde a 63,1 mil residências. Outros 140,2 mil (68,7%) não contam com a estrutura, indispensável para escoar as águas das chuvas. Não é à toa que, mesmo quando a chuva é moderada, os alagamentos tomam as ruas da Princesa do Sertão.
Ninguém pode deixar de reconhecer que a Feira de Santana conta com muitas vias pavimentadas: 92,4%, atendendo 188,7 mil domicílios. Mas a ausência de árvores e de infraestrutura para escoamento das águas das chuvas tornam o município muito suscetível a dois dos efeitos mais nefastos das mudanças climáticas: o calor implacável e as chuvas torrenciais. Há, portanto, um caminho longo para a Princesa do Sertão se tornar uma cidade resiliente e oferecer melhor qualidade de vida para a sua população.
Nas últimas décadas, educação, saúde e segurança pública tornaram-se temas centrais nas discussões sobre políticas públicas. Os entes federativos – União, Estados e Municípios – debruçaram-se, dentro de suas respectivas esferas de responsabilidade, priorizando a gestão destes temas. Mas, agora, os imperativos climáticos começam a se impor, migrando aos poucos para o centro das agendas social e de governo. Algumas gestões já se mobilizam, buscando soluções dentro de sua esfera de atuação.
Não diria que, na Feira de Santana, a mobilização é inexistente. Mas que ocupa posição central na agenda social e de governo, não, isso não. Mas é bom ir quebrando o paradigma porque as mudanças climáticas não pedem licença.
A Feira de Santana precisa, com urgência, começar a se tornar uma cidade resiliente!
- Por uma Feira de Santana resiliente - 21/07/2026
- Domingo de garoa e emoções esportivas - 20/07/2026
- Feminicídios e eleições presidenciais - 15/07/2026

