O Censo 2022 do Instituto de Geografia e Estatística, o IBGE, trouxe uma surpresa sobre a população rural da Feira de Santana: uma significativa redução no número de moradores em relação ao censo anterior, o de 2010. Enquanto neste a população no campo somava 46.007 pessoas, no levantamento mais recente o total não passou de 38.186. Como consequência, o percentual de moradores na zona rural também caiu em relação ao conjunto da população.
Em 2010 cerca de 8,2% da população feirense – que totalizava 556,6 mil pessoas – residia em áreas rurais. No censo posterior, realizado 12 anos depois, este número caiu para 6,19%, já que a população total alcançou 616,2 mil pessoas. O que pode explicar uma redução tão drástica? Migração, queda na fecundidade ou morte dos moradores do campo? Não, em grande medida nada disso.
Em 2013 a prefeitura alterou os limites urbanos da Feira de Santana, ampliando-os e, em consequência, reduzindo a extensão dos distritos rurais. Com isso, foram criados novos bairros e a população de antigas comunidades rurais tornou-se urbana. É o caso da Mantiba, cujo bairro totalizou 6.095 moradores no Censo 2022. Na Pedra Ferrada, foram contabilizadas 3.154 pessoas.
Assim, é possível inferir que, em grande medida, a redução na população rural se deve às mudanças promovidas pela Lei Complementar 75, de 20 de junho de 2013.
Os novos bairros tornaram a Feira de Santana mais urbana. Mesmo assim, o contingente de pessoas residindo no campo permanece significativo: apenas 53 municípios baianos tem população total maior que a população rural da Feira de Santana. Na zona rural feirense vive, portanto, mais gente que em 363 municípios baianos.
É bom lembrar que a redução do total de pessoas residindo no campo em Feira de Santana representa uma tendência de longo prazo. No Censo de 1970, por exemplo, havia 55,5 mil pessoas na zona rural; dez anos depois, houve o único aumento registrado desde então, mas mesmo assim discreto: 57,8 mil. Em 1991 o número já tinha se reduzido discretamente: 56,8 mil. Por fim, em 2000 havia só 49,2 mil pessoas no rural feirense.
A diminuição da população no campo não reduz a importância das áreas rurais para a vida da cidade. Desafios como o acesso à água e ao saneamento permanecem colocados, assim como investimentos que facilitem a mobilidade, como transporte e boas estradas. É bom lembrar que o rural feirense possui importância econômica, mas sobretudo cultural, contribuindo para a formação da identidade da Feira de Santana.
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