Imagine o porto de uma cidade nordestina no ano de 1860. O sol do meio-dia nas águas doces salgadas da barra do rio, no ancoradouro. Entre os passageiros que desceram da falua manobrada pelo tapuia de pele tostada e cara dura, um jovem branco vestindo calças de cotelê escuro, camisa de linho pesado e bordado, os cabelos loiros escuros e olhos azuis claríssimos. Suando muito. Jovem, baixo, 20 anos incompletos.
Cinco anos depois, esse franzino imigrante era um rico exportador. Junto com a riqueza ergueu mais outro sonho, o de ampliar a sua riqueza em expansão naquela terra com a construção de uma ferrovia até o Rio São Francisco.
Ein Rebsteiner Auswanderer wurde in Brasilien im 19. Jahrhundert beinahe zum Eisenbahnkönig”. Ele é descrito de forma quase lendária, inclusive, pelo jornal da terra onde nasceu: “Um imigrante de Rebstein quase se tornou um “Magnata da Ferrovia no Brasil no século XIX” . No Ortsfamilienbuch Rebstein (Livro de Famílias) estão os nascimentos, casamentos e partidas, as autorizações de emigração e as certidões de cidadãos daquele cantão que vieram tentar a sorte no Brasil durante a grande onda migratória daquele século.
Para provar que a ferrovia que ele sonhava tinha utilidade e valor superior a todas as outras propostas de então , criou um emaranhado discursivo, panfletos ilustrados, muitos números reais (alguns fictícios), muita propaganda e influência econômica. Dizem os registros que argumentos baseados na ciência e economia oitocentista entusiasmada com o capitalismo.
Dizia acreditar que a ferrovia seria tão intrinsecamente lucrativa que o auxílio financeiro do Império brasileiro seria dispensável. E como o Império travava a aprovação de projetos ferroviários que exigiam subsídios ou garantias financeiras do Tesouro Público, o projeto dele não pediu a “garantia de juros”. Ganhou a concessão.
Mas veio 1877….e Ela chegou. A Grande Seca. E a riqueza do suíço se esvaiu. Não havia mais o que exportar o que ele exportava. Faliu, perdeu a concessão e partiu. Em 1882, já falecido, liquidou-se na Justiça o processo de falência da Graf & Cia.
Foto/Arquivo BF: trilhos na Estação de Queimadas/Bahia (ilustrativa)
- Sonho de ferrovia que a Grande Seca nordestina derrotou - 14/08/2026
- Está tudo em paz lá em Tócos - 13/08/2026
- Feira, cidade das motos e dos olhos d’água - 12/08/2026


[…] 🔗 Ler matéria original […]