“Luizinho já rezou dez ‘Senhor Deus’, quinze ‘Salve-Rainha’ e nada resolvido na Praça do Tropeiro. Eu lhe pergunto, o que está faltando mesmo? procure saber o que está faltando, porque ele está desanimado, quer acabar com o samba, e eu não acho justo que ele acabe. E sua igreja é igual a minha, a gente gosta do sapateado. Veja isso aí, por favor”.
Esse é o teor do áudio que o desportista do futebol amador de Feira e consultor hidráulico Iramá Lima me enviou ontem. Quem ouvir vai perceber um tom bem-humorado mas o fato é realmente dramático.
A praça do Tropeiro está em reforma há mais de um ano, quando em julho do ano passado o prefeito Zé Ronaldo assinou, in loco, a autorização para o início da obra. É uma obra complicada e foi acertado com os comerciantes um cronograma que prejudicasse o mínimo possível o funcionamento dos Boxes, onde foram escalonados os trabalhos.
Mas a demora extrapolou a expectativa criada. Tá certo, o Samba de Luizinho foi pra praça de alimentação do Centro. Mas tolhido de sua espontaneidade percussiva, muitos pandeiros, atabaques, tambores, o que faz o diferencial da música de Luizinho. E essa é uma das razões da lamúria. Luizinho precisa de público, de gente, da contribuição financeira espontânea do frequentador e dos barraqueiros. Mas se não tem samba…
Luizinho é um cadeirante, autodidata, nascido na zona rural de Feira, trabalha um estilo de forró-samba, de feira-livre, que remonta a sanfoneiros mais antigos, até mesmo mais que o próprio Bié, pioneiro na praça e no “galpão da miséria” (hoje do peixe) no Centro.
Luizinho precisa de público, de gente, da contribuição financeira espontânea do frequentador e dos barraqueiros. O ritmo da percussão regido pelos Oito Baixos é a mistura que chama gente. E sem gente…
O samba está perdendo o oxigênio e, o pior, a esperança também. Eu também vou rezar, Iramá, eu também vou rezar, Luizinho, a reza popular de Santo Expedito: “Vinde, ó Deus, em nosso auxílio. Senhor, apressai-vos em nos socorrer”. É preciso manter acesa a esperança. Acesa!

