Sei que todas as atenções hoje (15) estão voltadas para a “sessão do século” no Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Enlameada, boa parte da Corte dedica-se com método a uma feroz e inédita antropofagia. O excesso de holofotes por lá torna dispensável qualquer análise aqui da planície em direção ao Planalto Central. Então é melhor se dedicar a temas locais, esquecer os milhões de reais fisgados de aposentados e funcionários públicos para irrigar o cinematográfico esquema de corrupção.
Mas tratar do quê? Há lá fora uma magnífica manhã de sol, urubus e outras aves deslizam sob o imaculado teto de céu azul. Pelas ruas, a rotina, imutável, mesmo com as eleições em curso, os cartazes com as cores, os rostos e os números dos políticos aparecendo agora com mais frequência à medida que as eleições vão se aproximando.
Onde está, então, a novidade, o pitoresco? Da janela, logo cedo, vi que passou, como sempre, o ciclista com a camiseta tricolor do Bahia. Mochila surrada com a marmita, calça e sapatos da construção civil, o cidadão atravessa os começos de manhã – chova, faça sol ou nevoeiro – com a paixão estampada como uma segunda pele.
Imagino que, ontem à noite, retardou o repouso acompanhando atento a Bahia x Remo. 34 mil vozes impulsionaram o Tricolor de Aço na Fonte Nova para mais uma vitória. A equipe ultrapassou o Fluminense do Rio na classificação e chegou ao décimo primeiro jogo sem derrota, sua melhor sequência na era dos pontos corridos.
Nas últimas três edições do Brasileiro, é o melhor desempenho até a 27ª rodada, cravando 46 pontos. Ano passado, tinha 43 a esta altura; no ano anterior, 2024, estava com 42. O desempenho credencia a equipe a figurar entre os oito primeiros colocados do Brasileirão há 59 rodadas. Um feito para quem vivia temendo o rebaixamento, lutando para não cair.
Mais tarde fui notando que a Feira de Santana, de maneira geral, amanheceu mais Bahia. Camisetas vermelhas, azuis, brancas, tricolores, rosas, douradas, novas, surradas, com estampas de patrocinadores, lisas, comemorativas, é grande a diversidade de camisetas do Bahia nesta terça-feira ensolarada. Refletem, alegremente, a luz do sol.
Sei que os resultados esportivos são efêmeros e, num par ou numa trinca de rodadas, os cenários mudam. Se é assim, então a torcida tem ainda mais razões para curtir o momento do Esporte Clube Bahia. Sobretudo nestes dias luminosos de setembro que anunciam a primavera próxima.
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