Amanhã a Feira de Santana completa 193 anos de emancipação política. Ao longo destes quase 200 anos, o lugarejo, remoto em seus primórdios, cresceu, tornou-se polo na pecuária, consolidou uma importante rede comercial em seu torno, industrializou-se nos anos 1960 e, hoje, ostenta a condição de 35º maior município brasileiro. O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, naquele ano, indicou 616 mil moradores na Princesa do Sertão.
Como se sabe, diversas rodovias federais interligam o município a todas as regiões do Brasil. Sua importância como polo regional levou à constituição de uma Região Metropolitana que, embora não tenha saído do papel, reflete seu elevado nível de integração com os municípios próximos.
Ao longo destes quase dois séculos, muito da pujança da Feira de Santana se deveu à intensa migração, ao ir-e-vir incessante de pessoas. No começo, a gente no Brasil deixou os espaços rurais e migrou para as áreas urbanas em busca de melhores condições de sobrevivência.
Na Princesa do Sertão não foi diferente: milhares de famílias acorreram para aqui a partir da segunda metade do século passado. Muitas delas de municípios próximos, mas também de diversas regiões da Bahia e, também, de outros estados do Nordeste. Em muitos casos, o flagelo das secas impulsionou migrações.
O vaivém por razões econômicas arrefeceu no Brasil ao longo das últimas décadas, até porque políticas sociais e de transferência de renda atenuaram as consequências dos flagelos climáticos. Mas, mesmo assim, a Feira de Santana mantém sua vocação cosmopolita, sustentando uma dinâmica migratória que permanece enriquecendo a cidade.
Dados do Censo 2022 do IBGE indicam que, nos cinco anos anteriores ao levantamento, muitas pessoas moravam em outros estados e, neste intervalo, migraram para a Feira de Santana. O estado de onde mais chegou gente foi São Paulo (quase 2 mil), seguindo de Rio de Janeiro (585), Minas Gerais (460), Sergipe (447) e Pernambuco (395). Na sequência, estão outros estados nordestinos: Paraíba (338), Ceará (309), Piauí (249) e Rio Grande do Norte (218). Mas chegou também gente de outros países, embora a origem não esteja discriminada no levantamento: 249 pessoas.
As informações são preliminares e não permitem inferir se estes migrantes são baianos retornando ou gente de outros estados vindo pra cá. Com relação aos estrangeiros, pode-se deduzir que, entre eles, devem figurar muitos venezuelanos, que escaparam da crise humanitária que aflige o país.
Mas, em linhas gerais, pode-se concluir que a Feira de Santana, por sua importância, segue atraindo gente, mesmo com a população brasileira mais sedentária, migrando menos. Os números, nesta véspera de data natalícia, reforçam a relevância da Princesa do Sertão no cenário nacional.
Ilustração com uso de IA
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