“O Capitão Juracy Magalhães, que cercou todos os seus hóspedes das maiores atenções, forçado pela premência do tempo e pelo desejo de mostrar ao Chefe de Governo algo da Baía, estabeleceu um programa vasto e apertadíssimo. Num só dia tivemos de ir de barco a Cachoeira, daí a São Félix e seguindo imediatamente de trem para Feira de Sant’Ana, onde chegamos à noite”.
O texto é do jornalista Alberto Porto da Silveira, enviado especial do Jornal do Brasil à longa viagem de Getúlio Vargas ao Nordeste e ao Norte do Brasil, em 1933. Publicou-o no dia 8 de setembro de 1933, na página seis do JB. Trata-se de um balanço do périplo de Vargas que, na condição de “presidente provisório”, esforçava-se para se consolidar no poder, após a chamada “Revolução de 1930”.
Generoso nos elogios, o jornalista também dispensou-os, magnânimo, à Feira de Santana: “A recepção na Feira foi magnífica pelo entusiasmo e por sua perfeita organização. Houve banquete e baile. Era tão intenso, porém, o cansaço, que ao baile só compareceram os membros da comitiva menores de 30 anos”.
Ele prossegue: “Logo às 9 horas do dia seguinte, já o Sr. Getúlio estava visitando a feira de gado e assistindo à derruba de um novilho pela cauda. O Chefe do Governo mostrava-se muito satisfeito com o espetáculo, admirando a destreza dos vaqueiros”. A visita findou, esclarece o escriba na sequência: “Terminada esta parte do programa e após uma pequena refeição, partiram todos, de automóvel, para Santo Amaro, onde almoçamos, continuando a viagem ainda pela estrada de rodagem em direção à capital”.
Porto da Silveira não deixou de fazer um comentário sobre as condições da estrada: “Navegamos num ‘oceano revolto de pó’ e chegamos a S. Salvador às 20 horas, para às 21 tomar parte no banquete oferecido pelas classes conservadoras, banquete que se prolongou até 1 hora. Na manhã seguinte – visitas, almoço e partida para Sergipe”.
A visita à Barragem de Bananeiras foi a mais importante realizada na Bahia, como bem destacou Porto da Silveira: “a [visita] mais importante foi a realizada em Bananeiras à Companhia de Energia Elétrica para ver a Barragem Jerry O’Connell, assim chamada em homenagem ao saudoso engenheiro que a projetou”. Localizada em Conceição da Feira, a barragem antecedeu Pedra do Cavalo.
O jornalista ficou impressionado com o porte da obra, que empregou 3,3 mil trabalhadores: “Os alicerces dessa enorme construção projetam-se na rocha virgem cerca de 8 a 10 metros. A colocação do cimento foi iniciada em março de 1930. Para se ter noção do vulto da obra basta assinalar que se empregaram nesse trabalho 150 mil barricas de cimento”.
Conforme mencionado, da “Baía” – era assim a grafia do nome do estado no Jornal do Brasil – Getúlio Vargas seguiu para Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e, por fim, Pará. O longo périplo serviu para vistoriar obras, manter contato com a população e estreitar laços políticos indispensáveis para manter-se no poder.
No ano do seu centenário de emancipação política a Feira de Santana figurou no roteiro do Chefe do então “Governo Provisório”. Sinal incontestável da importância política da Princesa do Sertão desde aquela época.
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