Semana que vem os brasileiros estarão defronte à urna eletrônica, depositando seu voto. Mas o clima pela cidade – pelas cidades, talvez seja melhor dizer – está distante do que já foi. Período eleitoral era festivo, muita gente, muito movimento, muita propaganda. Apenas semana passada os cartazes começaram a ser vistos com maior frequência. Vá lá que os jingles, os foguetórios e as carreatas ainda animam as noites por aí. Mas não como já foi.
As eleições sempre foram um período festivo no Brasil. Principalmente aqui no Nordeste, onde o povo é mais festeiro e encara a vida de uma maneira mais descontraída. Veterano de muitas eleições, lembro que o clima só esteve próximo disto em 1998, quando a renovação do mandato presidencial de Fernando Henrique Cardoso era favas contadas e houve ânimo quase nenhum pelas ruas.
Objetivamente, os candidatos estão gastando menos com material de campanha, conforme se vê. Não é falta de recurso: os bilhões destinados à corrida eleitoral bateram todos os recordes, é uma dinheirama infindável. Qual a explicação, então? A campanha migrou para as mídias digitais? A derrama de material vai acontecer apenas às vésperas do pleito? Essas perguntas, mais à frente, receberão respostas objetivas.
O que figura no plano da subjetividade é o comportamento do eleitor. Por quê tanto silêncio, tanta indiferença aparente em relação às eleições? Desencanto, frustração? Insatisfação com as opções? Fastio com a rotina que se repete a cada quatro anos? Não é difícil deduzir que este lado da questão é mais difícil de responder. Ao menos é mais trabalhoso encaixar o sentimento do eleitor num leque mais restrito de respostas.
Por fim, cabe questionar se essa aparente apatia e o silêncio teimoso não escondem surpresas que poderão se manifestar nas urnas. Pesquisas indicam cenários acirrados, com margens de diferença que se estreitam. Os mais calejados preferem não antecipar resultados. Até por essa quietude incomum, sem discurso e sem papel.
Mas faltam só 11 dias. O enigma – se é que pode ser tratado assim – está perto de se desfazer.
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