Na inquieta manhã de domingo do primeiro turno das eleições presidenciais passei pela Praça Froes da Motta. Tapumes metálicos cercavam todo o logradouro, sinalizando para as obras anunciadas pela prefeitura. Mas o que mais me achou a atenção foi outra coisa: a ausência da solitária palmeira imperial que restava, destacando-se sobre as copas dos oitis e visível à distância na Feira de Santana.
Lembro que, há três anos, escrevi um texto sobre a palmeira solitária numa manhã de domingo. Está lá registrado: “Resta só uma palmeira imperial na Praça Froes da Motta. Antigamente eram várias – pelo menos cinco ou seis – e podiam ser vistas de diversos pontos da cidade, enfileiradas, simétricas”.
Prossegui, premonitório: “Mas todas foram morrendo e resta uma única, que ninguém sabe quanto tempo vai durar. Por enquanto está firme, o tronco suavemente curvado junto à copa, a uns vinte metros de altura. A folhagem permanece pujante, protagonizando um contraste vívido com o azul impecável do céu desta primavera tórrida”.
Mesmo com a folhagem pujante, a palmeira veio abaixo e, com ela, uma parte da própria História da Feira. Não é exagero. Aquelas palmeiras marcaram uma época da Princesa do Sertão, como anotei no mesmo texto: “Ali era pouso de viajantes, pensões, pensionatos e hotéis baratos abrigavam uma fauna que emprestava vida às cercanias”.
Criança, lembro que me divertia, a partir do Sobradinho, enxergando as palmeiras à distância, suaves, balançando ao vento. A existência daquelas árvores me fez alimentar uma predileção infantil pela Froes da Motta. Ali a temperatura era mais agradável, as árvores humanizavam o ambiente.
Joaquim Gouveia da Gama, falecido estudioso da Feira de Santana, registrou em texto de 1995 que “A praça é a segunda mais bem arborizada da cidade (a outra é a Praça da Catedral). Ela se torna bela e imponente com suas nove palmeiras imperiais. Lutemos pela sua preservação”. O jornalista Adilson Simas, também falecido, resgatou o texto, que está disponível em alguns sites locais.
Por fim, tomo emprestado novamente o epílogo do texto de há três anos, que traduz melhor ainda o sentimento, agora que não há mais palmeira nenhuma: “O fato é que resta uma única palmeira imperial na Froes da Motta. Quem conheceu a praça noutros tempos não deixa de experimentar uma tristeza que se mistura à nostalgia vendo a árvore balançar, solitária, ao sabor do vento”.
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